SONS EXÓTICOS – The Very Best

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Pouco se comenta sobre a música da África, a não ser quando a mídia tem um reconhecimento maior por bandas/artistas que fazem incursões de ritmos africanos em sua sonoridade, o que aconteceu no caso do Vampire Weekend, Paul Simon com seu ‘Graceland’ e Talking Heads. Certas pessoas chegam a ter um algum preconceito, este não é o caso do The Very Best. Na verdade, a banda se consiste numa reunião entre dois dj’s e produtores britânicos, o chamado Radioclit (Johan Karlberg e Etienne Tron) com o músico malawiano Esau Mwamwaya. Então, sem antes conhecer o disco, já desconfiamos da mistura de ritmos que teremos pela frente.

Seria como se juntássemos a Europa e a África, num caldeirão sonoro de peso, uma vez que os músicos aqui conhecem a sonoridade mundial. São afinados e antenados com a cena atual, sem esquecer do próprio passado (exemplo da cena musical da Nigéria nos anos 70). Outro toque de world music – por assim dizer, pelo o que ele engloba – é que são vários os artistas convidados de outros países, dando um leque multifacetado de vários gêneros ao longo das canções. Cada música, uma marca ou um estilo. Temos a participação de Ezra Koenig (Vampire Weekend) e de M.I.A., além do trio trabalhar algumas canções em torna de melodias já conhecidas de artistas como Santigold e Architecture In Helsinki.

The Very Best surgiu em 2008 com um disco livre para download, o ‘Esau Mwamawaya And Radioclit Are The Very Best’, uma espécie de mixtape para mostrar sua performance ao mundo. E a recompensa veio logo. Pitchfork elegeu como um dos melhores 40 álbuns naquele ano. Menção digna e heróica de um estreante sem muito estardalhaço. Um trabalho que se estilhaçava no melhor da sonoridade electro-afro-pop, junto com dance, hip-hop e indie-rock. Um disco longo, 15 músicas, mas que não deixa de ser instigante até o final, possibilitando ao ouvinte inúmeras audições e descobertas.

O talento e a versatilidade mesmo ficaram comprovados em 2009, com o lançamento de ‘Warm Heart Of Afrika’. Disco esse que ficou no meu TOP 5 aqui mesmo no site. Trabalho mais acessível (porém, nem tanto) e que trazia composições variadas como a música título, ‘Julia’ e ‘Kada Manja’. The Very Best provava que não era uma celebração sem méritos, e continuava a trazer uma obra eclética e com mais vigor. Em 2011, mais uma mixtape, ‘Super Mom’, disco esse que preciso ouvir ainda, confesso.

Aguardo o que o futuro reserva para esse trio. Que não seja apenas um modismo, e que surjam mais boas ideias. Por enquanto, ouço os álbuns sempre com um novo frescor, por conta dessa multiplicidade de ritmos. Como diria o grupo Ira em sua clássica e oportuna música ‘Farto do Rock’n’Roll’*: ‘Eu fico tentando me satisfazer com outros sons, outras batidas, outras pulsações’. The Very Best representa isso, e bem. Descubra.

*Presente no disco ‘Psicoacústica’ (1988)

Allmusic
Site Oficial

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