O que instiga você para fazer o download?

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Faço parte de uma comunidade de música do Orkut e certo dia fiz uma enquete sobre o que ajudava mais o ouvinte para que ele baixasse o disco. Coloquei 6 opções, mas na verdade, poderia até ter pensado em mais algumas. As opções mencionadas: capas, links de sites como Myspace e Lastfm, links de blogs onde haja alguma resenha, as tags (que considero nunca absolutas), um vídeo do youtube ou mesmo se a pessoa vai lá e arrisca um download sem saber de nada. Claro, essas opções são para bandas mais desconhecidas no cenário, até mesmo porque as mais tarimbadas pelos ouvintes não precisam de tantas informações mais, a exemplo de um Radiohead, Arcade Fire, etc. Concordam?

Capas. Ora, se você é adepto daquela máxima de que ‘imagem é tudo’, você continua achando que a arte de uma capa é o principal quesito para o conteúdo sonoro ali ser bom. Tudo bem, pegue por exemplo um Echo And The Bunnymen. Conseguiam fazer discos maravilhosos e sempre com capas impecáveis. Em compensação, outras bandas não ligam para esse recurso, e fazem discos excepcionais também. Myspace e Lastfm são excelentes recursos. Você ainda pode encontrar bandas similares, saber mais da história por trás delas, e são páginas com conteúdos tanto agradáveis como informativos para quem gosta de música. Aconselho ainda o Allmusic que nos passa discografia e tem um texto bem chamativo. No caso do cinema, existe o IMDB. Para os gamemaníacos, o gamefaqs é uma boa pedida.

Links de blogs também são preciosos, por que não? Muitos dos discos que baixei, e dos quais acabei gostando, vieram de resenhas bem elaboradas e regidas pela razão de quem, assim como eu, gosta de escrever sobre música, e torna isso tudo como um hobby prazeroso. Por exemplo, aqui mesmo, graças aos colegas Luciano e Zangelus, descobri álbuns sensacionais, e sequer eram bandas muito mencionadas pela internet. Tags, ou rótulos ou ainda gêneros também não me chamam a atenção, pois dentro de um mesmo padrão existem variações. Exemplo disso é que o folk-rock feito pelo Bon Iver não segue o mesmo estilo de um The Dodos, você precisa ouvir tudo e tirar suas conclusões. E o que dizer de músicos que fazem uma miscelânea de estilos só que meras tags não definem?

Youtube é uma das melhores ferramentas virtuais dessa época. Porque você pode tanto ver aquele vídeo que você só assistia na MTV há 10/20 anos atrás, como pode ter uma certa noção do que vai baixar, ou daquele grupo que te chamou a atenção. E ainda existe o privilégio por conta de que algumas músicas trazem informações adicionais como a própria capa do disco. Mas, assim como a capa, muitas pessoas se deixam levar por conta de que o vídeo é bonito, o disco deve representar a mesma ideia. Fora isso, uma música não diz exatamente nada (aquele velho esquema da banda de um hit apenas).

Por fim, vamos baixar, não tenho nada a perder, existe a tecla ‘delete’ e está tudo bem. Nem tanto. Pois você lota de música o seu computador, acaba não ouvindo quase nada e ainda por cima, e desmerece aquele disco que poderia ser bom, mas que em poucas audições não lhe chama a atenção. Minha lembrança acaba caindo lá na época em que comprávamos vinis. Poucas informações, a revista Bizz era nosso meio de conhecimento (ou então os amigos), mesmo assim, era obrigatório parar na loja e escutar, faixa por faixa, para não ter um dinheiro jogado fora. Quando pedíamos um álbum importado, já deveríamos ter a máxima noção de que o disco era aquilo que queríamos. Claro que escutávamos no máximo dois discos por mês (eram mais, quando tínhamos a sorte de conseguir discos emprestados e então passar para a clássica fita k-7). Então, vivemos numa época fácil, mas sem uma certa paixão pala arte da música porque tudo anda tão fácil? O meu resumo é que o internauta deve se valer por todas as informações possíveis, a internet dá esse poder, e então, fazer sua teoria de baixar algo. Seria um conjunto inteiro de todas as partes somadas.

5 pensamentos sobre “O que instiga você para fazer o download?

  1. Obrigado pelo comentário sensato e pelo elogios, Luca.
    Retorne mais vezes ao blog, ficamos agradecidos de coração.
    Abraços.

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  2. Nossa, ótimo texto. Já visito o blog há algum tempo e o mesmo se tornou referência para mim. Estava pensando justamente nesse assunto, pois estive de férias no mês de julho e resolvi “limpar” o computador, deletando vários cds. O caso é que, após muitos álbuns serem jogados na lixeira, percebi que deveria ser um pouco mais criterioso nos downloads. Tenho a impressão que você tem razão quando diz que vivemos numa época fácil de adquirir informações. Apesar da internet ser uma indiscutível ferramenta a favor da música, existe um quê de “descarte” bastante triste, que tirou o charme de se “degustar” novos álbuns. Só cabe a nós sermos mais controlados na hora de baixar um cd (o que depende muito de pessoa para pessoa). Enfim, um ótimo texto e parabéns pelo blog.

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  3. Luciano, obrigado pelo debate. Acho que a receptividade na internet é baixa mesmo, engraçado, numa época fácil para ter as coisas, fácil para encontrar arquivos e textos, fácil de debater, e parece tudo ao contrário. E para vc ter uma ideia, isso foi um enquete na comunidade, apenas 45 pessoas responderam (num total de 6000), ou seja, temos até um certo medo de clicar numa única enquete (o que pode ajudar os usuários no futuro, pois aí sei aonde basear melhor minhas descrições nas bandas postadas).

    Penso isso mesmo, pessoas querem facilidade de links, nada de leitura, informações, ou até mesmo que entrem em contradição, querem o arquivo e que não dê muito trabalho (já vi gente reclamado de gerenciador de downloads, que queriam tudo ainda mais fácil, imagina).

    Mas prefiro poucos comentários, mas que sejam com fundamentos e inteligentes, como sempre vejo aqui no site. Qualidade antes à quantidade. Bem, de qualquer forma, não paro de escrever, preciso, vira um vício e isso é gostoso demais.

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  4. Só complementando, um texto que dá bastante pano pra manga. Pena que poucas pessoas comentam os posts…penso que isso também é reflexo do corre-corre que as pessoas andam, visitando blogs apenas em busca de um link e nada mais.

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  5. Caramba, Eduardo, ótimo texto, bastante oportuno. Particularmente, tenho baixado poucas coisas e confesso que perdi o pique pra buscar coisas novas, principalmente se as tags forem algo do tipo indie-folk. Tenho alguns blogs e sites como referência. Quanto à questão levantada por você: “vivemos numa época fácil, mas sem uma certa paixão pala arte da música porque tudo anda tão fácil?”, acredito que sim e não só isso, há uma velocidade voraz, uma busca desenfreada, um excesso de informação que, se mal assimilada, mais traz “maleficios” do que “benefícios”. Seguindo uma “contratendência” tenho me voltado pros meus cd’s ultimamente e optado por baixar arquivos em formato FLAC (sem perdas), convertê-los e gravá-los em CD.

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