CINEMA: Rammbock: Berlin Undead (2010)

ANTERIORES:
+ Super 8 (2011)
+ Dylan Dog: Dead Of Night (2011)

A maior particularidade do terror empolgante e moderno, verdade seja dita, é que ele mudou de território, possui seus novos vilões e sua nova forma de gerar calafrios. Se antes ficávamos aterrorizados com a faca de Michael Myers ou as garras de Fred Krueger, hoje ficamos angustiados com o que é mais real e próximo a nós. Saem os monstros, entes inverossímeis e criaturas com vidas infinitas tais como Jason Voorhees para dar lugar ao verossímil e ao mais plausível. Um terror que traz as consequências causadas pelo fanatismo religioso, que mostra sem pudor a crueldade e o medo de viver em sociedade, que tenta retratar a psicologia humana que por vezes é tão difícil de decodificar.

Esse novo terror vem acontecendo muito na Europa. O cinema francês é um bom exemplo. Filmes como ‘Alta Tensão’ (2003), ‘Eles’ (2006) e ‘Mártires’ (2008) são provas cabais do terror renovado e que rendem horas de perturbação na sua mente. Outros países podem ser incluídos, como a Inglaterra que trouxe o ótimo ‘Eden Lake’ (2008) onde a delinquência juvenil é retratada em sua forma mais aterrorizante.

Da Alemanha nos chega essa produção. É certo que a película tem uma temática que lembra outros filmes tais como ‘Quarentena’ (2008) e ‘The Crazies’ (2010) onde pessoas são contaminadas por uma espécie de vírus e passam a agir violentamente. Apesar de não ter inovação, o longa alemão trabalha muito com a psicologia do espectador. Ficamos sempre fracos quando pensamos num caso de alguma epidemia incontrolável nos atingir. Sabemos que o governo não terá uma solução pacífica e passaremos a agir pela sobrevivência usando dos maiores artifícios possíveis. Isso acontecerá com o nosso personagem principal, Michael.

Michael, que tinha a intenção apenas de entregar a chave para sua namorada, é obrigado a lutar por sua vida quando se vê cercado, repentinamente, por inúmeros infectados. O ambiente já é claustrofóbico, um bloco de apartamentos onde a única saída é um portão. Tudo acontece subitamente e o filme não abre espaço para explicações científicas, e nem precisa. Os poucos não-infectados estão ali, como numa espécie de armadilha, e precisam enfrentar a horda que os cerca. Num filme curto, de apenas 65 minutos, Michael precisa encontrar sua namorada, e junto com um jovem encanador perspicaz, precisa obter soluções para a sua sobrevivência. Em certa parte, pegar um telefone celular caído numa escada pode ser tarefa muito complicada.

‘R:BU’ ganha pontos exatamente por não depender de carnificina, efeitos, exageros ou grandes ações. Também merece crédito por não mostrar um herói que consegue deter 100 infectados ao mesmo tempo, e sim, um mero cidadão de carne e osso, simples, mas que tem um objetivo e pretende cumpri-lo. Há quem possa reclamar daquele final, que tudo possa soar ‘romântico’ e com uma brecha para continuações (precisamos realmente de sequências hoje em dia?), mas, sabem, esse filme alemão nos faz ter o seguinte pensamento que assusta: ‘e se fosse eu no lugar de Michael?’.

IMDB

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s