SAINDO DO FORNO: Gem Club – Breakers (2011)

ANTERIORES:
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Numa aula de literatura, talvez uma das partes mais complicadas seja traçar a descrição quer seja de um personagem, quer seja de um espaço físico. Você precisa fisgar o leitor para aquilo que ele encontrará em sua narrativa. Para a música, isso fica valendo para um disco. Pois descrever não é apenas dar adjetivos, e cada indivíduo poderia usar de inúmeras classificações e características possíveis sobre o objeto em questão. Razão, emoção, subjetividade, parcialidade, imparcialidade e até mesmo estado de espírito na hora em que você escreve, tudo pode influenciar. Fatores que por vezes você carrega consigo em seus textos.

Para descrever, necessitamos de palavras, e essas muitas vezes não se encaixam perfeitamente ou apenas ficam faltando para algo mais complexo que nos arrebata – e que de todas as formas possíveis queremos compartilhar com o receptor do texto. Caso nós sintetizássemos o que pensamos sobre uma obra musical que nos agradou, diríamos em míseras e mínimas palavras no imperativo: ouça isso! Mas não fazemos porque pretendemos expor os motivos, mesmo que eles não sejam bem elucidados.

Por exemplo, o universo sonoro do duo Gem Club. Preciso de poucos vocábulos. Ou precisaria de muitos, talvez. Um vocal absorvido na herança Brian Wilson de ser, canções etéreas tecidas por um grandioso instrumental que compreende pianos, cellos, violinos, xilofone, sintetizadores e aqueles sons/barulhinhos que necessitam de um eficaz fone de ouvido. Inspiração da música clássica. Melhor do que descrever como a sonoridade se processa, seria correlacionar seus sentimentos provocados pela condução de uma boa música. ‘Breakers’ é aquele disco que faz você esquecer do trabalho enfadonho na firma, que faz lembrar de um filme memorável de sua vida, que desvia seu pensamento para outro horizonte quando você está num ônibus, e que até mesmo, recarrega suas lembranças de como você, certo dia, foi ter um caso de paixão com essa arte, a música. Então, neste caso, importa mais descrever as sensações que o álbum lhe passa do que a forma como cada canção se processa.

A percussão que aparece tímida em ‘Tanager’ expressa a nossa vontade de fugir esperando por momentos de tranquilidade e mansidão. A batida que acompanha ‘Lands’ nos remete a uma pulsação. Esse ato corporal que nos mantém vivos a cada dia. Detalhes que com inúmeras audições atenciosas irão surgindo, desvendando um disco bem arranjado e minucioso. Mesmo com a lacuna perdoável da linda ‘Animals’ (do EP ‘Acid And Everything’ de 2010) que poderia estar muito bem aqui, temos um disco com qualidades. E olha que as palavras nem se tornam necessárias, pra quê? Use seus ouvidos e seus sentidos em estado de depuração para contemplar essa obra, caso alguém como eu – e você – não consiga descrevê-la.

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