REEDITANDO: M83 – Saturdays = Youth (2008)

ANTERIORES:
+ R.E.M. – Life’s Rich Pageant’ (1986)
+ Grinderman – Grinderman (2007)

Duas palavras em igualdade que transpiram noção de alegria, boas lembranças, descontração e êxtase. Uma das capas mais bonitas de 2008 – assim como foi a do EP ‘Couleurs’. O francês Anthony Gonzalez continua aquele músico afiado, alheio a badalações e que permanece usando uma mera letra e dois números para divulgar suas canções. Para assim se apresentar ao mundo com mais uma peça artística minuciosa, somente digerível e assimilada com o tempo e com percepção, indicada para ouvidos mais atentos e surdos aos boatos e julgamentos precoces.

Assim ele segue fazendo um misto de eletrônica cerebrada e substancial, usando toques retrôs em atmosferas climáticas com ares futuristas, space-rock, post-rock sem abusar de viagens abusivas/enfadonhas e não se esquece do velho formato pop (neste caso aqui, usa-se mais o termo synth-pop). Uma vez que penso na rápida afirmação de que a música pop é sempre aquela que caia nas graças dos ouvintes. A bem da verdade, recomendo esquecer de rótulos que amiúde querem usar como pretextos classificatórios não tão abrangentes, totalitários e precisos assim. O que vale aqui é emoção, paixão, recordação e hipnose que a obra te desperta.

O disco tem méritos e subsídios para conquistar, para se tornar público. E talvez, M83 seja um dos poucos do cenário musical que consegue enovelar nossos cerebelos em incontáveis frames de paisagens que aliam o onírico, o cinematográfico, e ainda a antítese nostalgia/contemporaneidade em momentos como ‘Couleurs’ e ‘Midnight Souls Still Remain’.


Neste álbum, a colaboração com adocicados vocais femininos fica por conta de Morgan Kibby, cantora norte-americana que depois dessa participação, deve perder o seu anonimato. Sua voz é marcante em ‘Skin Of The Night’ e ‘Up!’. Apesar do disco abrir com ‘You, Appering’ e seus pianos melancólicos juntamente com vozes em falseto, uma das particularidades da obra será a sonoridade oitentista ‘para cima’ num primoroso resgate. Tanto que a capa tem alusões aos filmes teens dos anos 80 que nos comoveram, sobretudo aqueles com atuações da simpática ruiva Molly Ringwald.

A contagiante ‘Kim & Jessie’ e ‘Graveyard Girl’ são provas concretas de tal revival 80’s. Porém, Gonzalez não faz disso mote necessário, essencial e único para formular suas composições. Ainda encontramos similaridades com alguns dos conterrâneos de Anthony (Air, Jean-Michel Jarre), ecos do boom da música eletrônica dos anos 90 e também há trechos onde experimentações e minimalismos lá nas décadas antigas (o kraut-rock, por exemplo) são bem encaixados. O que torna a tarefa de conceituar o álbum ainda mais fracassada e inútil.

Como coadjuvantes na confecção do disco, dois produtores de renome. Ewan Pearson (The Rapture, Ladytron) e Ken Thomas (Sigur Rós, Suede e Cocteau Twins). Citando o próprio Cocteau, não se espante se acontecerem associações do disco com alguns momentos da banda de Liz Frasier. Além do mais, a referência é clássica e fundamental.

Em palavras concisas e expressando uma ligeira opinião, você não encontrará tão claras semelhanças com o antecessor, ‘Before The Dawn Heals Us’ (2005). Sabemos que isso significa mudanças e maturidade de um músico. Se por acaso esse texto – apenas mais um entre centenas – não adiantar, se por acaso não consegue definir nada, lembrem-se que música precisa ser definida com os seus sentidos em plena forma.

Myspace

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