M83 – Hurry Up, We’re Dreaming (2011)

ANTERIORES:
+ CUSTOMS – Harlequins Of Love (2011)
+ THE GIFT – Explode (2011)

Anthony Gonzalez – aka M83 – está de volta. E com esse retorno, toda uma grande expectativa de como está a sonoridade do novo trabalho. Álbum já comentado aqui, o anterior ‘Saturdays=Youth’ (2008) estava mais voltado para uma nostalgia 80’s. Em relação ao novo disco, já tínhamos uma base de como seria por conta do aperitivo de ‘Midnight City’ que já circulava pela internet e que fugia um pouco do que ouvimos 3 anos atrás.

Como sou uma espécie de ‘pára-raios’ e absorvo tudo o que leio pelos sites, fóruns e redes sociais, vi os mais variados comentários sobre esse novo trabalho do M83. Que estava synth-prog demais ou que era abarrotado de interlúdios e isso tirava um pouco o ritmo do álbum em si. Não estão errados, em parte. Temos uns 6 interlúdios e o álbum sim, cai um pouco para o estilo citado anteriormente (só lembro que detesto rotular, faço por questão de situar melhor meu texto).

São 2 discos. 11 canções cada. Um tempo aproximado de 72 minutos. Uma obra que necessita de muitas audições. Precisa dedicação, atenção e envolvimento. Não que ela seja difícil, pelo contrário. E de preferência, que não seja interrompida no percurso (eu mesmo só fui ouvir tudo num domingo bem tranquilo em minha casa). Falando abertamente, ouça sem lembrar que você tem mais outras 10 bandas que baixou pela frente e que sequer escutou.

Melhor do que se preocupar com a quantidade de interlúdios (que para muitos pode ser música ‘jogada fora’) ou para qual estilo o trabalho se aproxima, seria enumerar as diversas qualidades de algo que só vem provar a versatilidade, multiplicidade e maturidade de um músico que há muito tempo provava que viria a ser referência e quase um ícone da nova época musical regida pela internet onde existe mais o joio do que o trigo.

Descrevo algumas peças que atestam o talento de Gonzalez e os estilhaços sonoros que compõem os dois discos: a proporção épica atingida com ‘My Tears Are Becoming A Sea’, a sonoridade vertiginosa de ‘New Map, o piano que faz a abertura magnânima para um coral de vozes em ‘Splendor’, a eletrônica que se aproxima do rock de uma forma igualitária e bem sincronizada empregada em ‘This Bright Flash’ e ‘Year One, One UFO’ ou mesmo ‘Wait’ com seu clima quase semelhante a de um folk (ou folktrônica, se assim podemos chamar).

Um dos melhores momentos do disco? Na minha opinião, é ‘Raconte-Moi Une Histoire’. Uma garotinha segue narrando uma história fantástica através de um envolvente instrumental e faz com que o ouvinte vivencie quase um conto de fadas (onde fosse o adulto que recebesse a sua história de ninar). Lindo, doce, terno. Pouca gente tinha pensando nisso na música atual. Anthony faz um trabalho para nosso prazer e avidez por música de qualidade. Claro que isso só precisa de um pouco de tempo do ouvinte. Depois disso, a recompensa será gratificante. Justo assim. E de quebra, temos uma das capas mais bonitas de 2011.

Discografia

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