CINEMA: Don’t Be Afraid of the Dark (Não Tenha Medo do Escuro, 2011)

ANTERIORES:
+ Attack The Block (2011)
+ Rammbock: Berlin Undead (2010)

O cinema, sobretudo do chamado filão hollywoodiano, anda muito cansado. Mal das pernas. Precisa de refilmagens (remakes), vive de clichês e com roteiros banais. Já repleto de continuações, necessita mostrar (ou criar) uma origem para algumas ideias (como foi o que aconteceu com ‘Hannibal: A origem do Mal’ e ‘X-Men: Primeira Classe’, por exemplo).

Então, não são muitas sinopses ou mesmo grandes diretores com um elenco de primeira que podem chamar sua atenção hoje em dia. Eu já não tenho confiança em certos diretores/produtores que atualmente, na minha opinião, são hypados sem mostrar um trabalho convincente. Não era o caso do mexicano Guillermo Del Toro (até este filme), cujas histórias me agradavam um pouco e que tentavam seguir um cinema fantástico (e gosto dessa temática). Diretor esse que bebeu bem da fonte de escritores fantásticos, sobretudo de ícones da literatura hispano-americana como Borges e Cortázar.

Aprendi algo nos filmes de Guillermo. Geralmente eles possuem crianças no elenco. E apesar de inocentes, carregam traços quase-adultos em suas personalidades, chegando e dar exemplos para os adultos na narrativa. E já citado antes, suas películas são carregadas do fantástico, passando por cenários suntuosos e atingindo até diversas mitologias ou mesmo contos góticos ou medievais. E para isso, é só voltarmos no tempo e lembrarmos de como se processou ‘O Labirinto do Fauno’ (2005) e o excelente ‘A Espinha do Diabo’ (2001).

Fatos citados acima se encontram em ‘Não Tenha Medo do Escuro’. O problema é que Guillermo (aqui produtor e roteirista) e as outras pessoas na direção do longa conseguem cair nas armadilhas atuais do cinema sobretudo Hollywoodiano. Produções que geralmente começam boas e decaem lá pela metade, a velha emboscada de clicherizar ou entregar logo a trama/o suspense de maneira simples e a tecnologia/os efeitos ficam acima da atuação dos personagens (os personagens de Guy Pearce e de Katie Holmes estão bem apagados na trama).

ATENÇÃO: NESTE TRECHO, ALGUNS SPOILERS
Outros fatores enfraquecem o filme. Um deles: as criaturas, em conjunto, poderiam muito bem vencer os humanos, sobretudo poderiam ter logo matado Sally. Mas como é de praxe, vilões (isso inclui seres malígnos do gênero terror/suspense) enrolam no intuito de matar humanos, e sempre deixam brechas para a salvação deles. Falando nas criaturas do filme, o suspense extremo que é apontado nos 5 minutos iniciais se perde quando elas são reveladas ao espectador. E mesmo depois que elas surgem, a película passa a mostrar aquele jogo de gato e rato, a ação toma o lugar do suspense e do medo, com direito a uma guerra entre homens e criaturas. Sally fica amedrontada e os adultos nunca acreditam na sua história, tudo parece ser uma invenção. Ahh, você já viu isso antes, tenho certeza. Claro que há alguma boa ideia, a exemplo do uso da máquina fotográfica que serve como uma ‘arma’ para Sally.

VOLTA DO TEXTO SEM SPOILERS
Da parte dos personagens, mais uma vez o elenco infantil salva o filme de um desastre maior. Aqui é a garotinha Sally (Bailee Madison). Uma ótima atuação, e como é gratificante ver uma promissora atriz num papel denso, com alta carga dramática (reparem quando Sally fica zangada e até discute sobre relações amorosas do seu pai com a madastra). Apesar disso, acho que o universo lúdico/infantil do roteiro não foi bem aproveitado a exemplo de ‘O Labirinto do Fauno’ (detesto comparações, fiz por necessidade).

O cenário da casa também é imponente e segura um pouco o filme. Uma mansão antiga, cheia de histórias e que tem um jardim daqueles parecidos com um labirinto. Infelizmente, são poucas as tomadas exteriores da mansão. E o final, mais um que dá pano para continuações (caso a primeira parte não seja um fracasso, claro). Aliás, você chegará até o final, meio que sem muito clímax. Não desprezo Del Toro, longe disso, mas aqui ele deixou a desejar na visão de quem conhece um pouco os filmes anteriores.

IMDB

Baseado num telefilme de 1973

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s