ESSE EU TINHA EM VINIL: Fear of Music (Talking Heads, 1979)

ANTERIORES:
+ Unforgettable Fire (U2, 1984)
+ Spleen and Ideal (Dead Can Dance, 1985)

Odiei Talking Heads já de início, mesmo tendo escutado apenas seu álbum de estreia.

Como asssim? Na época, devido à falta de informações e um preconceito típico de quem começa a descobrir bandas,1977 pra mim estava associado a algo bem específico: punk-rock: Sex Pistols, Clash, etc.

Nesse contexto, a música do Talking Heads era por demais limpa. Me parecia inofensiva, chegava a soar até como música circense. E, definitivamente, a voz de Byrne não descia. Nem “Psycho Killer”, que todos os meus amigos diziam ser uma ótima música, conseguia mudar minha maneira de pensar em relação àquela banda.

Algum tempo depois, talvez anos. Eis que cai em minhas mãos o “Fear of Music”, que se não me engano – quem acompanha essa seção deve ter reparado como uso essa frase, mas é que a mente é traiçoeira e meus amigos não leem esse blog para me ajudar em relação a isso, ou possuem memória pior que a minha – foi comprado na Modinha, uma loja de discos que ficava ali na Rua Sales Barbosa, próximo ao Mercado de Arte, e que vendia desde as coisas mais pop’s até (acreditem!) a coleção quase completa do Midnight Oil.

Agora vejam, comprei o disco simplesmente porque achei a capa diferente. Preta com detalhes em alto relevo, como se fosse uma calçada.

Ou seja, fui fisgado pelo Talking Heads por causa, primeiro, da capa, e só a partir daí é que fui descobrir a genialidade da banda. Começando pelo poder rítmico de Tina Weymouth e Cris Frantz (na época estava tentando expandir meus conhecimentos no baixo), segundo pelas peripécias vocais de Byrne, que me sugeriam ter feito escola, a qual teve como discípulo o senhor Black Francis. Além, claro, das guitarras rasgantes e cristalinas de Jerry Harrison.

Para não dizer que tudo eram flores, os elementos africanos me pareciam um tanto exóticos. Quem diria que também nisso seriam copiados por uma infinidade de bandas alguns anos depois, inclusive muitas bandas conterrâneas deles.

A partir daí eu pensei: Como é que não gostei desses caras quando ouvi o “77”? Preciso re-ouvi-lo.

E lá fui eu comprar também o “77”, “Mores Songs About Buildings and Food”, e até o mais world-music/tribal, de todos, e considerado por muitos um dos melhores discos da década de 80, o já clássico “Remain in Light”.

Em todos consegui distinguir uma faceta diferente do Talking Heads, me rendi à genialidade de David Byrne e sua trupe.

Finalmente havia conseguido enxergar o “lado rock” da banda. Mais uma tentativa de fugir do lugar comum, de apontar para novos horizontes, novas sonoridades, novas fusões. Não é isso que muita gente (bandas e ouvintes) busca de forma até desesperada?

Aí me lembro o que me levou a falar dessa vez desse disco.

Baixei recentemente uma apresentação da banda em 1980, na Alemanha, e boa parte do repertório é do “Fear of Music”.

Já havia visto a banda antes, no oficial “Stop Making Sense” e já conhecia a empolgação da banda e dos convidados, mas esse show tem uma vibração diferente, é menos produzido (“Stop Making Sense” teve direção de Jonathan “Silêncio dos Inocentes Demme”), e mostra a banda totalmente embalada, um David Byrne visceral, uma apresentação: feliz!

Lá não estão algumas das canções que fizeram eu me render ao TH: “Heaven” (com sua linha de baixo maravilhosa), “Mind”, “Memories Can’t Wait”, “Paper” ou “Air”, nem as canções mais estranhas do disco, mas estão clássicos como “Cities” (uma aula de ritmo), “Animals”, e um dos seus maiores hits “Life During Wartime”.

Ao ouvir “Fear of Music”, mesmo após vinte anos após sua descoberta, ainda me impressiona o poder rítmico do casal Frantz/Tina e o quanto a banda estava à frente de seu tempo, coisa que só as grandes bandas conseguem.

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3 pensamentos sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Fear of Music (Talking Heads, 1979)

  1. Realmente, quanto ao Talking Heads, demorei para conhece-los devidos a um certo preconceito quanto ao seu som, escutei depóis de crescido e vejo que os mesmos tem um grande dominio dos seus instrumentos e fazem um som muito a frente do seu tempo, pena que as grandes bandas do mundo acabam, diferente de tantas outras que insistem em perdurar e nem imaginamos que as mesmas existem!!!!!!!!!!!!!

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  2. Pois é, Ângelo, aos poucos vou tentando normalizar o ritmo em relação aos meus textos, embora minha vida esteja bastante corrida ultimamente. Também gostei da nova cara do blog, e vem mais surpresas por aí. Quanto ao lance do Talking Heads e a questão das lembranças, quando falei dos amigos, aqueles que estão comigo desde o final dos 80/início dos 90, você é o único que, não só visita o blog, mas também colabora, seja com comentários, sugestões e, mas principalmente com textos. Falando em textos, as posrtas continuma abertas pros seus. No mais, valeu pelo incentivo sempre.

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  3. Olá Luciano! Parabéns pelo up grade feito no blog… Boas matérias como sempre e desculpe-me pela minha “falta de inspiração” para escrever.
    Quanto à história sobre o TH e disco eu lembrei automaticamente quando li a matéria, pois tem coisas que esquecemos mas que ficam guardadas lá num cantinho da memória; parabéns mais uma vez e que o blog continue trilhando este belo caminho.

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