CINEMA: Hugo (A Invenção De Hugo Cabret, 2011)

ANTERIORES:
+ The Descendants (Os Descendentes, 2011)
+ George Harrison – Living In The Material World (2011)

Desde as cenas iniciais em que Hugo corre entre as engrenagens do relógio da estação, até folhas de papel com desenhos que se esvoaçam ao cair de uma mala, sabemos muito bem que a intenção de Scorsese era fazer um filme em que a estrela maior fosse o 3D. O visual ao extremo. Mas antes que alguns cinéfilos de plantão briguem pelo antagonismo injusto criado em torno de ‘O Artista’ (que busca os primórdios da arte como o preto-e-branco e o cinema mudo) e de ‘A Invenção de Hugo Cabret’ (que se faz valer da queridinha e inovadora tecnologia 3D), vale lembrar que ambos os filmes ganham num mesmo aspecto: fazem uma homenagem à sétima arte e trazem no espectador a magia e a emoção que essa arte proporciona, não importa o recurso utilizado ou a forma como foi criado.

O filme de Scorsese tem méritos que se definem ao longo das 2 horas. Em tom de fábula moderna, carrega doses de comédia, fantasia, aventura, drama e um leve mistério (apesar de que eu queria que a resolução do ‘segredo’ demorasse um pouco mais para ser solucionado). Apresenta artistas renomados como Ben Kingsley e Jude Law, isso sem contar a desenvoltura dramática do elenco mirim (a cada filme essa nova geração de atores/atrizes me surpreende). Também não se esquece de trazer um cenário surreal realçado, uma Paris anos 30 de uma forma fantástica, onde fantasia e nostalgia se entrelaçam de maneira bem agradável aos nossos olhos. Ressalto também a valorização da Literatura e aqui temos uma espécie de ‘guardião’ dos livros de uma biblioteca no papel de um experiente Christopher Lee. E nem teatro, circo, mágica e a dança foram esquecidos (ressaltando aqui que cinema tem de todas essas artes).

Se cinema é feito por momentos e cenas marcantes, essa película não falha. É cativante ver Isabelle, a amiga de Hugo, indo ao cinema pela primeira vez (e você vai querer lembrar de como você também conheceu essa arte maravilhosa). As cenas de flashback entre Hugo e seu pai em meio aos maquinismos também merece créditos, isso sem se esquecer das passagens que foram criadas justamente para dar rendimento ao 3D (cinzas se espalhando pelo ar, por exemplo), mas que mesmo em 2D ficaram bonitas.

O filme traz cores vibrantes, detalhes, minúcias, efeitos e imagens inesquecíveis e todo um aparato para as crianças saírem felizes do cinema. Para os adultos, há história, risos, comoções e melancolia resultantes pelo que eles compreendem da sétima arte desde pequenos. Independentemente de premiações que o filme arrebatou, temos aquela máxima de que não importa tecnologia, precisamos de roteiros que ainda busquem um pouco de inteligência, mesmo com breves clichês. Queremos a perplexidade, o êxtase, a surpresa e a variação que o cinema pode proporcionar desde a época dos irmãos Lumière.

Baseado no livro ‘The Invention Of Hugo Cabret’ de Brian Selznick

IMDB

Site Oficial

ATENÇÃO:
Tirei o trailer do Youtube no final da resenha por considerar que alguns spoilers podem ser revelados.

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