DE LA MANCHA – The End* Of Music, 2012

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Sete e meia da manhã. Um dia frio de maio aqui na minha cidade. Fato até incomum, haja vista que é um lugar bem quente, mesmo que a gente seja provido de um abrangente litoral com muito vento. Enquanto saboreio meu café quente e espero algum serviço na minha firma – que nem sequer mexe com textos -, tento concatenar palavras acerca desse disco dos suecos do de la Mancha. Lembro logo da personagem de Dom Quixote, o cavaleiro da triste figura, criado pelo inesquecível e talentoso Cervantes. A diferença aqui é que estamos falando da arte que consiste basicamente de combinar sons, a música.

Discos hoje em dia que tem aí quase 1 hora de duração, atualmente, tendem a ser maçantes. Você pode, infelizmente, largar tudo já nos primeiros 10 minutos. O de la Mancha passa no teste, a princípio, pois entrega duas belas músicas (‘Ursa Minor’ e ‘Under A Leaden Sky’) que transitam entre um Radiohead e um Playfellow. Isso depois da abertura quieta de ‘Golden Bells’ que deixa o ouvinte na expectativa do que possa surgir.

Ainda sem serviço, isso depois dos 10 minutos, fico pensando porque a Suécia tem tantos talentos musicais assim, ou, se envolve tanto com música se tornando, de fato, um dos países com maior tradição em gerar bons grupos ao mundo. Parece um ar mágico e inspirador que circunda essa nação. Entretanto, jogando assuntos geográficos/sociais/culturais e até místicos de lado, advirto o leitor que o álbum, a partir de ‘Hidden Mountains’ fica mais letárgico/melancólico, e se você espera a mesma intensidade do início, pode se decepcionar.

Por sorte, os músicos são talentosos. E com um bom fone de ouvido, com o silêncio ao meu redor (pois meus colegas de serviço ainda não chegaram), deixo me levar pelo piano de ‘Willow Lane’ e até mesmo pela faceta folk-pop-ao-jeito-Bon-Iver-de-ser exibida em ‘Erase’ – grandiosa em seus quase 8 minutos.

Discos assim não são totalmente definidos/qualificados/rotulados, mas tentamos nesse glorioso labor de escrever. Nessas horas, nem consigo – ao menos – rotular músicas assim. Low-fi? Post-rock? Deixo pra lá, e já sabendo que meu ócio está perto de acabar, ainda curto os arranjos surpreendentes de ‘For Family’. Curtir? Estou sendo modesto demais. Fico boquiaberto com aqueles sopros que irrompem abruptamente na canção, depois de 5 minutos.

Chega o serviço. Volto à minha rotina. Fecho essa página do Word e guardo o arquivo carinhosamente em 2 dispositivos (HD e pendrive). Mesmo trabalhando, dou repeat no disco, tento observar mais detalhes, tudo bem que agora o silêncio tenha ido embora. Também fico pensando o porquê do asterisco no título do disco. Se a idiossincrasia da banda o quis assim, que fique como está. Fim da música? Não mesmo, isso é a esperança da música, isso é a finalidade dela, enaltecer. E assim encerro essa resenha quase em forma de diário. Obrigado por chegar até aqui.

Site oficial

Myspace

Escute ‘Ursa Minor’

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