Ouça a música, toda a música

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Na época em que via MTV com mais assiduidade e ficava ansioso pela exibição de alguns clipes (nem sonhávamos com Youtube), um dos lemas que passava nos intervalos era: ‘ouça a música, toda a música’. Lógico que a MTV fazia referência à sonoridade da canção em si, como ao apelo visual que ela carregava traduzida no clipe, até mesmo uma forma de vender o disco.

Na minha opinião, penso que tal mote deveria valer para os dias atuais. Todavia, usaria essas palavras justamente para a música em si, toda a sonoridade (esqueçam o visual) que ela carrega. Barulhinhos, efeitos, acordes, riffs de guitarra, linhas de baixo, sopros, cordas. Não importa. Perceber (detalhes), atentar (pelo modo de compor), julgar (o resultado final), repetir (o processo, se assim for necessário), enaltecer corpo e mente.

Aqui na minha cidade, estipulou-se uma lei que determina a proibição de aparelhos tocando música em volume alto no transporte coletivo. Caso o cidadão não aceite, uma multa de 400 reais será imposta. E são vários os cidadãos que abusam dessa prática. Mas fazem por competição, por ego inflado, para chamarem a atenção de uma forma indevida ou para mostrar para toda a população a potência sonora que possuem. Um som alto não indica qualidade. Ali a música não é escutada com prazer, inclusive, o sujeito nem a ouve por inteiro, fazendo o (des)favor de pular faixas. Tente perguntar o quê o indivíduo está ouvindo, e nem ele saberá dizer (‘eu ouvi no carro do vizinho, só sei que adorei e faz estremecer meu grave’).

Música não pode ser escutada assim, não só por que muitos pensam que o ouvido deles é um ‘penico’ para aquele determinado gênero musical. Deve ser um exercício de concentração e dedicação. Pode ser uma tarefa por vezes fácil, ou pode ser uma conquista adquirida com o tempo e com percepção (aquele álbum que precisa de inúmeras audições). Seria até como se nos passassem um teste, contudo, sem tempo de duração para chegarmos a uma conclusão guiada mais pela razão do que pelo próprio coração (ok, pode ser por esse órgão do nosso corpo também, aceito).

Mesmo nos tempos de escola, quando comecei a conhecer música, por vezes dormia no meio da audição de um vinil. Era sono e cansaço gerados por estudo e trabalho exaustivos. Mais tarde, era dever escutar aquele disco novamente, já refeito de minha estafa. Hoje em dia temos uma vantagem, ficou fácil a aquisição de discos, porém, fica mais necessária a audição atenta daquela obra, sobretudo daquelas cujas bandas são novatas ou as quais pretendemos iniciar na sonoridade.

Por vezes, acabei sendo destruidor com algum disco que não merecia. Me redimi: o tempo me mostrou as qualidades que ele tinha. Tento hoje em dia ser o mais atento possível, mesmo com o ‘harém musical’ que aí circula. Conheci muita coisa dessa forma. Mesmo quando trago um álbum para ouvir no meu trabalho, sinto como uma prática incompleta, inacabada. O disco será escutado em casa, em outras ocasiões. De preferência, com as luzes apagadas, bons fones de ouvido e sem muito barulho no ambiente. Pois quero ouvir a música, toda a música. Eu sei que o mundo anda corrido, mas ainda tenho o prazer de reservar um tempo para essa bela arte.

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