CINEMA: Heleno – O Príncipe Maldito (2011)

ANTERIORES:
+ Chronicle (Poder Sem Limites, 2012)
+ Tucker And Dale Vs Evil (Tucker And Dale Contra O Mal, 2010)

Filmes que se inspiram em biografias de famosos podem ser tediosos sobretudo quando o tema abrange algum esportista, e o espectador não é muito fã de esportes. ‘Heleno’ foge desse caso. É um retrato sincero e bem revisto desse jogador, que para muitos foi o primeiro ‘atleta-problema’ da história do esporte brasileiro. Também não louva o futebol e o jogador em questão, pelo contrário, até entrega algumas contradições desse esporte como o recebimento de ‘prêmios’ para os jogadores após alguns jogos perdidos (ato esse comum hoje em dia) e trata aqui a questão de Heleno como carne e osso, não como celebridade.

O filme começa cru e melancólico: um Heleno (Rodrigo Santoro) já debilitado pela Neurossífilis, num quarto de sanatório no interior de Minas Gerais, olhando recortes de jornal com notícias do passado. Não satisfeito, o personagem rasga os papéis e os mastiga/digere como numa espécie de vingança pessoal. Em meio a passagens que envolvem o sanatório, o jogador vai revelando o seu passado. Desde os tempos de glória até os momentos onde a doença o vai tirando dos gramados. Não apenas a Sífilis, claro, pois Heleno era explosivo, não muito sociável com companheiros de equipe, debochado e indisciplinado. Isso o foi excluindo de grandes clubes e o tornando isolado e mais egocêntrico, ao ponto até de se afastar da esposa e amigos por meio de brigas fúteis. Uma personalidade forte, sem máscaras, mas que no final não contribui muito em sua profissão e vida social.

Para trazer máxima fidelidade à narrativa, o filme é em preto e branco. A película se preocupa em dar ênfase aos diálogos e personagens, trazer mais a carga dramática e os cenários acabam sendo minimalistas. Somos transportados para a época dos rádios e de uma sociedade ainda em ascensão. Os figurinos são bem descritos inclusive quanto aos uniformes dos clubes e aos trajes de época. Os envolvidos na direção e produção também se esforçaram em visitar o próprio sanatório onde Heleno ficou para dar uma dinâmica maior à essa triste época do jogador.

Cinema é feito de cenas marcantes. ‘Heleno’ entrega algumas passagens memoráveis. A cena do vestiário onde o esportista alega que os colegas de time estão se vendendo é impactante e rende uma revisita. Outra cena onde a veia irônica do jogador é bem demonstrada é quando ele recebe a notícia que o Brasil havia perdido a Copa de 50 e ri de tudo (para ele, na verdade, isso era uma espécie de vingança por não ter sido convocado para a seleção).

Temos aqui um Rodrigo Santoro trazendo realmente no personagem o impacto do que foi essa figura notável, porém polêmica. A bem da verdade, Santoro já tinha dado prova de boa atuação desde ‘O Bicho de Sete Cabeças’ (2001). Gosto dele assim, em personagens dramáticos. Ufanismo de lado, o cinema nacional está bem, trazendo muitas opções de qualidade para o espectador da sétima arte. Quem continua falando mal, que vive criticando, é porquê ainda não aceitou essa verdade.

Filme inspirado no livro ‘Nunca Houve Um Homem Como Heleno’ de Marcos Eduardo Novaes

IMDB

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