GET WELL SOON – The Scarlet Beast O’Seven Heads (2012)

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Como resenhista, também posso dizer que sou quase um confessor aqui. E não minto que fiquei com medo quando escutei o EP do Get Well Soon, ainda antes da metade de 2012. Considerava que as canções tinham muita coisa de eletrônica ali, nada contra isso (por favor!), mas senti falta dos arranjos, sobretudo dos violinos e daquele algo mais lembrando até a música clássica (também muito importante para o músico, notado lá em ‘Vexations’).

Também não esperava o lançamento do disco agora em agosto. Nem sabia qual o título que seria dado. E tudo veio rápido, na maior surpresa. Fui atingido quase por um míssil…e sabem daquele medo, por conta do EP? Vi a discografia do artista, revi suas influências e semelhanças, os belos vídeos que ele faz, e acreditei com convicção: o alemão Konstantin Gropper não erra, neste exato momento de sua carreira não, sobretudo pela experiência que vem adquirindo e por esse ser o terceiro trabalho (aí lembrei até da prévia desconfiança que foi em torno de ‘The Suburbs’ do Arcade Fire).

E é isso mesmo. ‘The Scarlet…’ supera ‘Vexations’, mas ao mesmo tempo sem minimizar o que havia sido feito ali de grandioso. Quase numa espécie de (maldita) comparação, seria um equivalente da época em que ‘The Suburbs’ foi lançado, mas nós ainda tínhamos o ‘Neon Bible’ grudado na mente. Exaltação pelo terceiro trabalho sem se esquecer do anterior.

O disco abre com ‘Prologue’ (elementar), e aqui, apesar do clichê do título, talvez temos um dos prólogos mais bonitos de 2012 (ou de todos os tempos?). E se prepare. Explosão de sopros, um clima vintage, algo de uma trilha sonora de algum filme melancólico, porém marcante na sua mente. Isso é o que em menos de 2 minutos, a canção ‘Let Me Check My Mayan Calendar’ deixa passar.

Cheia de minúcias e detalhes, em que cada audição é uma brecha para algo novo, a percussão colossal e a eletrônica dando acompanhamento preciso aos elementos acústicos. Essa é ‘The Last Days Of Rome’ e o jeito conhecido do Get Well Soon de ser. ‘The Kids Today’ bebe um pouco da fonte setentista, um pouco de psicodelia, toda cheia de efeitos e pode ser um dos hits do ano.

As influências e as similaridades? Lembra que citei elas no segundo parágrafo? Sim, a soberba ‘Roland, I Feel You’ trouxe algo do Pulp, aquele jeito do Jarvis Cocker em narrar boas letras com arranjos impecáveis, aqui muito bem traduzido por Konstantin. ‘Disney’ (disparada uma das melhores do disco), por sua vez, lembra algo que cruzaria a fronteira musical entre Andrew Bird, Beirut e Nick Drake (mais ou menos isso, o que importa é que essa é, disparada, uma das melhores canções do álbum).

Na metade do disco, e eu diria que nem precisava de mais. Porém, a outra metade é do mesmo naipe. Pérolas como a potente e contagiante ‘A Gallows’ e o jeito ‘pop-rock-que-todo-mundo-deveria-seguir’ de ‘Courage, Tiger’ mostram que Get Well Soon sempre faz um disco grande, com muitas músicas, contudo sempre equilibrado e nunca desanimador. Acreditar é preciso. Perder o medo é importante. E seja confiante em quem sempre traz música na alma, em quem consegue hoje em dia deixar o próprio autor do texto desnorteado e obrigado a escrever uma resenha logo no dia seguinte à audição do disco.

Peço desculpas pelo texto grande. Foi imprescindível.

A resenha de ‘Vexations’ (2010)
Site oficial
Veja o vídeo da espetacular ‘Roland, I Feel You’

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