GRIZZLY BEAR – Shields (2012)

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Foi tocar os primeiros minutos de ‘Shields’, e eu desliguei o disco. Calma, leitores, pois estava perdido no meu próprio pensamento se ali era realmente o Grizzly Bear. Fui ao Youtube e realmente constatei que a abertura genial de ‘Sleeping Ute’ era aquela que estava ouvindo em meu player. A percussão fenomenal, um urgente/potente rock, guitarras trabalhadas. Sim, isso mesmo. Nada melhor do que dar prosseguimento ao disco em questão.

Ouvir ‘Shields’ requer um trabalho minucioso, atento, até árduo. Esse é o Grizzly Bear de sempre, mas o grupo priorizou (ainda mais) o requinte, os arranjos rebuscados, fez de sua própria experiência uma ferramenta para lapidar esse que fica entre os melhores trabalhos de 2012. E pode ter certeza, até o fechamento estonteante com a música épica arrasa-quarteirão de arrepiar ‘Sun In Your Eyes’, passaremos por um turbilhão de sensações causado por conta de composições que não perdem o brilho, sempre distintas e abertas a outras interpretações (eu já escutei umas 15 vezes o álbum, e percebo mais coisas).

E não é só isso. Não há hits fáceis, grudentos e fofos a exemplo de ‘Two Weeks’ (lá de ‘Veckatimest’, em 2009). Você pode até pensar em ‘Yet Again’ e ‘Gun-Shy’, talvez as mais acessíveis e possíveis hits do álbum. Não mesmo, apesar de serem as duas que mais lembrem o que estava construído há 3 anos atrás. O Grizzly Bear vai tecendo tudo em seu disco: folk, psicodelia, 70’s, art rock e baroque pop. Adição balanceada e correta de eletrônica com elementos acústicos, há riqueza no instrumental e comprovamos realmente uma evolução crescente da banda. Não bastasse isso, os vocais de Edward Droste trazem melancolia ou mesmo vigor para canções tão completas e substanciais a exemplo de ‘Speak In Rounds’. Mesmo em ‘The Hunt’, um momento mais tímido e sombrio, onde a bateria e o baixo quase lembram o ritmo de uma pulsação, o quarteto americano faz bonito.

Basta ver o vídeo que deixo mais abaixo, para notar a performance de Ric na percussão. Sabem, esse deve ser o típico caso de quando o profissional ama seu trabalho, o seu ofício. De quando o próprio artista sente carinho de sua arte, e não é apenas a questão do dom ou talento. Consegue criar momentos para enaltecer o receptor da obra. O que vemos no vídeo é um apenas um componente do grupo, mas reflete em todos os outros três elementos, numa feliz reação em cadeia, reflete em quem ouve essa obra e fica perplexo.

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Allmusic

Ric Elsworth na canção ‘Sleeping Ute’

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