Aqueles velhos clichês, mas eu até gosto disso…

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O carro que não pega na hora em que o personagem mais precisa. Ou as chaves do veículo que nunca são encontradas. A mocinha/heroína que corre muito, mas que assim mesmo acaba se deparando com o vilão ou o assassino que estava (aparentemente) abatido no chão. A casa abandonada no meio de uma floresta densa e escura que sempre prenuncia algo que não será bom. Sim, você já viu isso em centenas de filmes, sobretudo os do gênero terror.

Mas não importa o gênero. Seja na ficção, na comédia e até no drama. Quer ver? Já viu algum filme onde a família é cheia de problemas e briga direto, mas no final todos os conflitos se resolvem (e mesmo assim, a gente solta aquela lágrima, coisas da personalidade humana)? Sim, com certeza. E ainda tem a pessoa desacreditada por todos, ou um funcionário que é demitido e ainda o personagem que descobre estar com uma doença terminal. Podem reparar que geralmente o filme vai tomar um mesmo rumo até o seu fechamento. Ele vai revidar a situação na maioria das vezes e passa a ver a vida com outros olhos, com outra mentalidade.

Claro que existem os filmes inspirados em fatos reais ou em biografias. Mas observem algo. Apesar de alguns já revelarem o que está por vir (porque você viu na internet, leu o livro ou mesmo um amigo seu já havia contado a história), eles tendem a nos prender, pois queremos saber como será o processo da narrativa, como o personagem vai passar por aquela situação. Esse caso cai muito com o filme ‘127 Horas’ (2011). Sabemos qual é o final do personagem Aron, mas ficamos numa expectativa tal qual a história fosse original aos nosso olhos.


(Foi só o personagem Neo desviar das balas em grande estilo que isso virou moda fácil…)

Alguns filmes trouxeram ideias originais, se não em 100%, pelo menos fugiram um pouco dos clichês. ‘Festim Diabólico’ (1952), ‘Seven, Os Sete Pecados Capitais’ (1999)** com aquele final estonteante e ’Amnésia’ (2000). São três rápidos exemplos, entendam bem. Claro que depois foram muitas as produções que se inspiraram nas ideias que eram mostradas nos filmes já citados, respectivamente: único plano-sequência em ‘Arca Russa’ (2002), assassino que se inspira na religião/Bílblia para matar também vista em ‘Resurrection – Retalhos de Um Crime’ (1999)** e narrativa que busca a interpretação não-linear do espectador presente em ‘Crash – No Limite’ (2004) onde precisamos montar um quebra-cabeças com os fragmentos que assistimos. Até ‘Matrix’ teve seus influenciados, talvez, como ‘Equilibrium’ (2002).

Por isso que é comum alguém dizer que não gostou de alguma película simplesmente porque o mal triunfou, ou o mocinho morreu no final, porque não se explicou o motivo de tudo ou porque temos uma narrativa aberta. Claro, porque a percepção de certas pessoas ao ver cinema, de desfrutar dessa arte – é de simplesmente seguir um procedimento que é praxe em quase tudo que se vê e que se filmou, de fugir de um roteiro/um desfecho mais complexo ou de que exija, no futuro, uma outra sessão mais aguçada.

Longe de denegrir como anda o cinema hoje em dia, por favor. Contudo já vi muitos filmes onde eu ‘cantava’ a história a cada cena que surgia. E hoje é como uma espécie de peneira. Tento seguir a sinopse, porém aquelas palavras ali podem expressar um déjà-vu do qual quero fugir. Os clichês são eternos, acreditem. Mas alguns filmes já mostraram que cinema sempre cativa, normalmente tem algo para aprontar com o espectador e produções memoráveis aparecem constantemente. Roteiros geniais, uma extensa literatura mundial que ainda não foi aproveitada e profissionais competentes da nova geração darão muito o que falar, mesmo que ainda algum carro não continue funcionando na hora da necessidade.

** = Como ambos os filmes são de 1999, então, é provável que exista mais uma coincidência do que uma inspiração nesta parte, porém vale lembrar que as histórias tem algo em comum.

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