CINEMA: Beasts of the Southern Wild (Indomável Sonhadora, 2012)

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Pelo que andei lendo na internet, ‘Indomável Sonhadora’ recebe a maioria dos seus créditos e concorre a um dos melhores filmes do ano mais por causa da atuação carismática da atriz Quvenzhané Wallis, de apenas 6 anos. E isso pode ser um equívoco. Claro, todos sabemos que essa nova safra de atores/atrizes mirins do cinema realmente é de encher os olhos e nos dar esperanças. Acontece que mesmo não sendo tão estupendo, ‘Indomável Sonhadora’ tem seus trunfos e merece atenção também a inúmeros aspectos ligados a ele.

Esse é o tipo de película em que outras sessões tornam-se necessárias para atentarmos mais aos detalhes. Uma produção que pode render muitas conversas em palestras de faculdade ou mesmo numa roda entre amigos. Também pudera. São muitas as passagens marcantes, as metáforas, as críticas embutidas que não deixam de fora o capitalismo, a exploração da terra de uma forma cruel na América, a questão da propriedade privada e a má divisão de terras, além de incluir um certo negativismo da modernização forçada às pessoas.

O fato é que não tem como não se comover com a menina Hushpuppy. Ela vive junto com seu pai aparentando problemas de saúde numa região praticamente ilhada e que com as tempestades passa a ficar alagada. Lugar esse chamado por ela de ‘Banheira’, o qual eles não pretendem sair nunca. Em meio à miséria junto aos animais de criação, aonde a modernidade praticamente não chegou, nas poucas recordações da garota em relação à sua mãe (e que o pai lhe contou vagamente) e na ilusão de que os Aurochs – seres pré-históricos inventados pela menina – podem retornar -, vamos percebendo a poesia que a cada frame o diretor Benh Zeitlin tenta nos passar.

O filme revela uma relação pai-e-filha intrigante. No início, conturbada. E há toda uma forma nada convencional dessa relação acontecer na tela, diferente de outros filmes, pois há princípio, tudo é muito seco, inóspito. Até a forma de comunicação entre ambos é mostrada de uma forma estranha perante os olhos do espectador. Contudo, há um constante crescimento, essa relação passará por transformações. E longe de ser taxado por mais um filme impregnado de ‘pura melancolia’, pois há certos momentos com um leve humor e a fantasia/o fantástico também não ficaram de fora (como as ‘bestas’ que aparecem).

‘Indomável Sonhadora’ mostra a paixão que nós criamos pelos amigos e pela terra na qual nascemos, não importa se as condições sociais sejam as menos favoráveis possíveis. Também nos faz lembrar de nossos instintos básicos com a natureza, quando realmente precisamos sobreviver sem auxílio da civilização e da tecnologia. O que é melhor? Não é remake, não utiliza do 3D e da computação exagerada para compor sua parte visual soberba (que convenhamos, nesse quesito, é sim um dos 10 melhores de 2012). Em tempo: é mais uma hora e meia que o cinema prova que ainda tem fôlego e muita coisa para nos mostrar.

IMDB

Filmow

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