CONSIDERAÇÕES SOBRE MÚSICA EM 2012

Vamos relembrar retrospectivas anteriores?
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O que escrevo hoje, não admito que seja um TOP. Não gosto dessa expressão e sempre acho que posso ser orgulhoso e descartar injustamente alguma banda, por exemplo, que não ouvi direito durante o ano. Gosto sim de avaliar o que passou e que rodou em meu player, o que surgiu de novo (as bandas que sempre ficarei de olho) e de sempre alertar que graças à internet, temos esse leque de opções que se encaixam para os mais variados gostos. Vamos então a um retrospecto.


Os grandes e já experientes na música não falharam, de uma forma geral. Grizzly Bear surgiu mais maduro e ousado em seu ‘Shields’ (foto) e nem sobrou muito espaço para hits. Os instrumentos vieram mais trabalhados também. ‘Break It Yourself’ do Andrew Bird, músico que carinhosamente chamo de homem-pássaro, foi companheiro inseparável em minhas férias. Outro artista que ficou gigante e hoje não tem medo de fugir do pop-rock comum, inserindo outros gêneros em suas canções, sempre com violinos e cordas em profusão.


Os escoceses do The Twilight Sad mantiveram-se afiados em ‘No One Can Ever Know’ (foto). Continuam vigorosos, com letras bem amargas e polêmicas (e clipes também) e o grupo vai se solidificando como um das mais importantes desses tempos. Stuart Staples e sua turma, os notórios Tindersticks que nos embalam desde os anos 90, não fizeram feio. ‘The Something Rain’ trouxe boas lembranças dos primeiros discos, e os arranjos nunca falham, tudo isso bem condensado com a voz sempre marcante de Stuart.


E os novatos? Ou aqueles que até já tinham algum disco, mas que agora, por sorte do destino, passei a conhecer? E foi um ano prolífero sob esse aspecto. Engraçado é perceber em tais bandas, a herança da música clássica ou de executarem um pop com nuances que lembram a música ambient. Discos nem tão fáceis de início, contudo, algumas audições atentas, um apagar de luzes, silêncio e bons fones de ouvidos e temos a música que enaltece a alma. Entre eles: De La Mancha (‘The End* Of Music’), Port St. Willow (‘Holiday’), Arrange (‘New Memory’) e por fim, o professor-músico do The Songs Of Green Pheasant com seu estupendo ‘Soft Wounds’ (foto).


Não faltou o peso na música. iLiKeTRaiNS trouxe ‘The Shallows’ que tem lá seus bons momentos reunindo expoentes como Scott Walker-Leonard Cohen-Nick Drake envoltos em paredes de guitarras. Não foi o melhor trabalho deles, ficou menos denso, mas a banda continua gerando confiança. Os americanos do Lights Out Asia e seu ‘Hy-Brasil’ emplacaram um dos momentos post-rock mais bacanas de 2012 (e andam junto com o Mogwai neste gênero).


O post-punk enérgico esteve presente com os russos do Motorama em seu ‘Calendar’ (foto). A capa lembra o ‘Ocean Rain’ do Echo And The Bunnymen, que dessa forma, nos faz pensar nos 80’s. E citando os 80’s, a época foi bem reverenciada no talento do Twin Shadow (‘Confess’) que repetiu a fórmula do anterior e se deu bem. Ainda destaco o Black Marble e seu ‘A Different Arrangement’ que me trouxe a nostalgia das minhas tardes de domingo ouvindo Soft Cell e OMD.


A música eletrônica não teve um ano tão espetacular assim, considero. E mais uma vez, preciso falar da cena chillwave. Taxada por muitos como modismo, o gênero veio apresentando mudanças, riffs de guitarras e cada vez revela mais artistas em ascensão. Se em 2011, Washed Out e Toro Y Moi nos deram momentos prazerosos, em 2012 foi a vez do Porcelain Raft com ‘Strange Weekend’ (foto), do Slow Magic (‘Triangle’), Pandit ‘(‘Pandit’) e do Keith Canisius (‘Beautiful Sharks’). O detalhe é que são todos músicos bem novos e que geralmente começaram a compor em casa, no anonimato e na timidez.


Ainda preciso destacar o Get Well Soon com ‘The Scarlet Beast O’Seven Heads’ (foto). Projeto do alemão Konstantin Gropper que vem se tornando um grande artesão da música através dos anos. Liars, como de praxe, caprichou em ‘XIWIX’, e nem precisamos dizer que esse é o ‘Kid A’ desses tempos (como alguns disseram). A dupla do The Rosebuds fez bonito ao reverenciar uma de suas influências, a cantora ‘Sade’. O presente para o ouvinte: o famoso ‘Love Deluxe’ que foi gravado pela inglesa em 1992.


E teve decepção? Sim, mas não muitas. O Kyte teve um brilho muito tímido em ‘Love To Be Lost’ (foto), muito aquém do que eles prometeram nos EP’s. Yeasayer, com ‘Fragrant World’ não repetiu os trabalhos anteriores, elaborou um álbum insosso com poucos momentos inspirados.

Para fechar:
Gangnam Style, que nada! A melhor dancinha do ano foi do Chairlift, dupla que fez um disco bem legal também, chamado ‘Something’:

No dia 20, coloco algumas observações sobre cinema, séries e até alguns games que foram temas em 2012 (prometo que o texto será menor). Até lá e obrigado pela leitura!

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