CINEMA: La Guerre Des Boutons (A Guerra Dos Botões, 2011)

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Louis Pergaud criou uma espécie de obra eterna e conseguiu fazer um romance tão bom como ‘A Guerra dos Botões’. Tanto que o diretor Yves Robert foi lá e fez uma bela adaptação para o cinema em 1962. Quando uma narrativa conquista através dos anos, é inevitável que mais diretores seguirão esse exemplo, isso quando não são influenciados ou fazem um remake. Foi o que fez o diretor John Roberts, que em 1994, transportou a história para uma Irlanda na década de 50, tanto que agora, os grupos rivais são os Ballys e os Carryks e o resultado também foi bem surpreendente, tanto que considero os 10 melhores filmes daquele ano.

Para 2011, um novo remake. O diretor Yann Samuell volta a dar uma nova cara para a trama, isso quase depois de 50 anos. Continua a rivalidade entre garotos de dois vilarejos rivais numa França dos anos 60: os Longeverns e os Velrans. Os garotos vivem em constante disputa, e saem para a batalha sempre arrumando estratégias e armadilhas. As armas, todas aquelas de que a gente participava quando criança: estilingues e espadas de madeiras. Não bastasse apenas isso, até os adultos vivem em constantes discussões, o que é notado nos professores Merlin e Labru (que rendem bons momentos).

O importante é ressaltar o personagem Lebrac, o líder dos garotos Longeverns. Vivendo numa certa melancolia, tomando atitudes para cuidar de sua família, Lebrac precisa conviver entre seu potencial de inteligência, a vida adulta, seu grupo de amigos e seu futuro. O garoto fala de independência, guerras e de espírito de coleguismo. Talvez a participação do personagem Tintin que acaba de chegar da guerra entre Argélia e França seja meio deslocada na trama, e nem precisávamos disso, mas Yann quis render alguns momentos para tocar na consciência do espectador, um sentido de metáfora para mostrar que guerras reais geram feridas e cicatrizes indeléveis.

Esse remake é um filme de humor leve onde as crianças realmente tomam o espaço. Difícil ficar sem voltar a película e assistir novamente a cena da sala de aula onde todos os alunos respondem as 10 questões de forma errada. E você solta aquele riso ao ver as tiradas bem humoradas do garoto mais novo da turma, Tigibus (na imagem de cima). Muitos podem se importunar com o tanto de palavrões (que para o público infantil seja desfocado e até errado me certa parte), mas, é só lembrar de nossa época quando crianças e se deixar levar pelas constantes ‘guerras’ de ambos os grupos.

Infelizmente, esse remake não supera o original e nem a versão de 1994. Entretanto, é sempre recompensante ver tramas assim, que trazem nossa infância e nostalgia à flor da pele. Enquanto adultos guerreiam e se matam de verdade, crianças se esquivam da realidade vivendo numa espécie de história e revanchismo particular. Ninguém se machuca, o único troféu são os botões. E ainda fica uma ‘cutucada’: numa era onde a criança vive isolada e trancada em casa com seu computador, vale muito ver essa teoria de que a infância sempre viveu de acordo e melhor com o ar livre, com jogos e o ludismo, com o pé sujo de terra mesmo.

A primeira versão, de 1962 (recomendada)
A segunda versão, de 1994 (igualmente recomendada)

Mais sobre o remake de 2011 aqui no IMDB

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