CINEMA: Después de Lucía (Depois de Lúcia, 2012)

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Se o efeito da arte é causar uma catarse, coletiva ou individual, não há como duvidar dessa máxima quando somos espectadores de certos filmes. Assisti ‘Depois de Lúcia’ na minha firma. Todo mundo já tinha saído, e para ganhar um tempo e não enfrentar um trânsito caótico, preferi começar a minha sessão. A princípio, seria apenas uma verificada nos 15 minutos iniciais para ter uma ideia do que veria pela frente. Após meia hora, começou o soco no estômago, era difícil apertar o stop e chegar até o final era um ato obrigatório a minha consciência, pois não conseguiria sair para a rua sem um desfecho em minha mente. Porém, sei que filmes mexicanos são perfeitos em mostrar uma realidade forte, não escondem verdades e geralmente não trazem finais felizes.

O tema é o bullying. Um tanto quanto batido, inclusive nesses tempos onde todo cuidado é pouco, e sobretudo mulheres podem ter sua reputação manchada com fotos íntimas espalhadas pela internet. Geralmente rodeado de polêmicas e dos ‘dizem-me-dizem’, quem frequenta redes sociais já deve ter visto algo assim. Entretanto, o diretor Michel Franco matiza seu filme com impacto, crueza, amargura e acima de tudo, sinceridade. Não há sorrisos. E tal qual a câmera estática que segue o pai de Alejandra (Tessa Ia) dentro do carro nos minutos iniciais, ele quer mostrar que somos cúmplices de tamanha atrocidade, que compactuamos com o que às vezes sabemos não estar certo e aceitamos de uma certa forma por trás da máscara da hipocrisia. Somos espectadores tímidos e inertes.


(a adolescente Alejandra não difere de muitas adolescentes da vida real que enfrentam esse mesmo problema)

Claro, aqui temos a violência. Todavia, não é a violência dos filmes de ação ou de terror, e sim, a psicológica, a que é engendrada por conta de atos impensados, sobretudo de uma juventude que por vezes parece não ter remorsos de suas vítimas. Pesado para alguns, há cenas realmente chocantes. É fácil se identificar com Alejandra. Em certa parte, será normal assumir o ressentimento da personagem, ao mesmo tempo, é comum sentir uma repulsa por sua passividade e aceitabilidade dos fatos. Entretanto, a personagem, tal qual uma presa, se sente acuada e a alternativa mais paliativa é seu sofrimento, sua solidão e flagelo. Fatos assim são como feridas que nunca se cicatrizam, ou se curam, voltam a doer em certas ocasiões da vida. Um filme praticamente sem trilha sonora, cenários básicos e com um elenco praticamente amador e sem estrelas. Uma narrativa que em alguns aspectos, causará muitos debates. O final fica em aberto, o que infundará muitas discussões. Eu pensei uma coisa, meu amigo achou outra, isso é ótimo na arte.

Ao terminar o filme, gritei. Fui ao banheiro, passei água gelada na minha face. Estava vermelho, talvez de raiva, um pouco de vergonha. Consegui sair na rua e embarcar num ônibus. Mas, ao chegar até li, pensei: ‘será que quantas pessoas viram esse filme?’. ‘Será que elas sentiram o que eu senti?’. ‘O que acharam?’. Lembrei dele por uns 3 dias, até mesmo com uma ponta de culpa em tudo. Famílias são destruídas assim, de certa forma. A personalidade de algumas pessoas se quebram, e no final, o desastre chega para todos, a índole e o caráter de alguém se perde. Fiquei catártico, nocauteado e sem reações, mas agradeci de uma certa forma como um ‘puxão de orelha’ certeiro e necessário.

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Filmow

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