THE NATIONAL – Trouble Will Find Me (2013)

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A primeira coisa dita por um amigo meu ao escutar o novo disco do The National foi que a banda não mudou e que dessa forma, manteve o mesmo padrão de sua respeitável discografia. E pra quê mudar? The National não precisa. Também muitos admiradores não querem. Um dos poucos grupos que manteve sua formação inicial, o quinteto vem com experiência de sobra e sempre afiado. E numa espécie de conjunto equilibrado, cada 20%, cada um de seus componentes, soma uma totalidade admirável e que hoje em dia é considerada como uma das mais importantes do cenário musical.

Matt Berninger, o crooner eficaz. Enérgico quando precisa ser, melancólico quando a canção lhe exige. Por vezes, me lembra um Michael Stipe, digo não nos timbres, mas sim em suas qualidades. Apesar de sua aparência tímida, Matt é aquele poeta da era moderna. Sobre letras que falam de cotidiano, dos relacionamentos e de perdas, o vocalista transborda sinceridade e paixão de músico, um enraizado na arte.

Lembro de um show aqui na minha cidade, um pouco depois do lançamento de ‘Boxer’ (2007), em que o vocalista, durante a execução de ‘Mr. November,’ se jogou na platéia. Criava-se assim uma proximidade entre artista e público, uma relação honesta e quase ninguém achava que essa banda seria fenomenal. E eu tinha certeza, desde o injustiçado ‘Sad Songs For Dirty Lovers’ (2003). Muitos ali foram tomados de surpresa, pois The National tocaria depois do MGMT, banda que era muitos mais cogitada na minha cidade naquela época.


(o quinteto continua revelando um punhado de canções para os amantes da boa música)

Aí nos chegam os outros 80%. O instrumental. A bateria de Bryan Devendorf é cavalar, performática, é suprema em certas ocasiões (‘Graceless’) e eu queria aprender esse instrumento, sobretudo depois que conheci a banda. Guitarras sempre virtuosas a cargo dos gêmeos Dessner (Bryce e Aaron). O baixo de Scott Devendorf (irmão de Bryan), sempre mais introspectivo, faz suas linhas básicas, porém não tão menos importantes. Violinos, pianos e sopros são adicionais, eles entram nessa massa pop-rock e acrescentam muita coisa. E quanto aos fãs? Um cara que ouviu punk em sua adolescência não teria o que reclamar (‘Sea Of Love’), os mais românticos se exaltam numa melancolia ponderada por belos arranjos (‘Heavenfaced’) e você passaria boas noites num bar com velhos amigos falando da vida, das coisas (‘This Is The Last Time’).

Minha resenha vai se esgotando e não falei do disco em si, praticamente. E nem preciso! ‘Trouble Will Find Me’ é mais um belo trabalho dos americanos. Não é superior aos demais, não fica aquém. Equilibrado, uma síntese do que é a banda. Cada canção, por si só, já receberia um parágrafo a parte, dada a complexidade da composição de algumas faixas. São mais 13 – espécies de – capítulos que o The National reservou para o autor desse texto e para os fãs. Ao mesmo tempo, é um belo cartão de visitas para conhecer esse universo. Isso é música que une sentimentos, indicada para todos os momentos e ocasiões de nossas vidas.

Site oficial

Veja o vídeo de ‘Sea Of Love’

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