DÊ UMA CHANCE – Violeta de Outono – Violeta de Outono (1987)

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Muitos possuem a costumeira mania de se lembrar do rock BR 80’s, fazer apologia dele, mas não dão atenção a muitas bandas que fizeram parte daquela época. Fellini, Mercenárias, Vzyadoq Moe, Hojerizah, Zero, Picassos Falsos são grupos geralmente esquecidos e nem tão reverenciados hoje em dia (como não foram talvez no auge da época). O mesmo vale dizer para o trio paulista Violeta de Outono. A formação inicial consistia em Fábio Golfetti (vocais e guitarra), Ângelo Pastorello (baixo e minimoog) e Cláudio Souza (bateria e percussão)

A discografia da banda é toda equilibrada e fácil de indicar. Contudo, esse disco de 1987 talvez seja o cartão de visitas mais do que adequado para quem necessita conhecer o Violeta. O álbum vem com 17 canções que não sobram de forma nenhuma, com uma produção impecável e apresenta um encarte interessante onde há um breve resumo do grupo (para a época foi de muita valia, pois não tínhamos muitas informações de fácil acesso).

O trio se enovelava pela sonoridade psicodélica, pelos 70’s e demonstrava influências da música oriental. Claro, não podemos nos esquecer da tendência do rock inglês comum da época. Mesmo em tantas canções, o Violeta conseguiu emplacar apenas dois hits precisos típicos nas FM’s da década 80’s: ‘Dia Eterno’ e ‘Em Toda Parte’. A temática das letras reverenciavam sentimentos como melancolia mesclados com aspectos da natureza (‘Desolado o sol se põe a oeste / Lua em gancho, triste, sons do vento / Parte o coração, o frio do outono’, canta Fábio na sensacional ‘Outono’).


(músicos que ajudaram a transformar o cenário do rock no Brasil)

Um instrumental rico com baixo e bateria bem marcantes junto a guitarras dedilhadas era outro trunfo da banda, isso fica constatado claramente em ‘Declínio de Maio’, ‘Sombras Flutuantes’ e na vertiginosa ‘Rinoceronte na Montanha de Geléia’. Cantavam muito bem em inglês e até arriscavam na realização de belos covers. A clássica ‘Tomorrow Never Knows’ nada fica devendo a música original do quarteto Beatles, pelo contrário, consegue até nos enganar e não nos permite dizer qual a melhor versão.

Num compêndio de belas faixas, a banda já antecipava um casamento bem arquitetado entre o pop-rock e o eletrônico (‘Ilhas’) e nem ritmos tribais escapavam (‘Aqui e Agora’). Um grupo avançado demais para o seu tempo, como foram muitos dessa geração prolífera de nossa música. Vale a pena procurar pela discografia da banda, conhecê-la melhor. Há um certo boato que eles podem retornar em 2014 com um disco de inéditas. Espero que venham com esse mesmo talento e esse dom para fazer música de qualidade.

Esse texto é dedicado ao amigo Marcos Luís Machado, também um grande apreciador da banda.

Discografia e mais fatos sobre a banda, aqui

Site oficial

Veja ‘Dia Eterno’ tocada no Teatro Municipal de São Paulo

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