MUDHONEY – Vanishing Point (2013)

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O que esperar de uma banda como o Mudhoney?

Náufragos da tempestade grunge que assolou o mundo nos anos 90, e considerado por muitos como um dos precussores do que viria a acontecer em Seattle, a banda de Mark Arm começou a fazer estardalhaço com o single “Touch me I’m Sick”, lançado em 1988, um dos seus maiores “sucessos”. Aspas na palavra sucesso porque na verdade a banda nunca a chegou a alcançar o sucesso comercial como diversos outros conterrâneos seus.

Apesar da longevidade da carreira e do caminho bem oposto ao dos seus contemporâneos do Pearl Jam, ambas convergem num ponto: estão na ativa até hoje, fazendo shows, lançando discos e, porque não, conseguindo surpreender.

Com vinte e cinco anos de carreira, “Vanishing Point” é apenas o nono álbum de estúdio do Mudhoney e é uma grata surpresa.

Nada de novo na sonoridade do grupo. Nada daquilo que alguns poderiam chamar de “evolução”. O que eles fazem é aquele rock’n’roll garageiro, sujo, enlameado de distorções fuzz e dos berros alucinados de Mark Arm, que canta cada vez melhor.

Dito isto, “Vanishing Point” (Sub Pop Records) chega para comprovar o bom momento do grupo – lançamento do DVD I’m Now, The History of Mudhoney, turnê com o Pearl Jam, biografia – e arrebatar o posto de melhor álbum do grupo dos últimos vinte anos.

“Slipping Away”, canção mais longa do disco, é emblemática como a iniciadora dos trabalhos, começa com um swing incrível proporcionado pela dupla baixo e bateria, e termina num turbilhão desenfreado de fuzz-wah. Com um começo tão intenso, difícil não imaginar coisas boas por vir.

E são muitos os bons momentos do disco, na verdade nove em dez. Não significa que o hardcore de tons sarcástico de “Chardonnay” apresente uma canção ruim, apenas reta demais, algo até normal dentro da proposta da canção.

Dentre os destaques, a trinca de abertura é memorável, com a já citada “Slipping Away” + “I Like it Small”, das canções mais divertidas e grudentas do Mudhoney (além do videoclip muito bacana) +”What to Do with the Neutral”, com Arm começando em falsete. Sem esquecer a pedrada sonora de “The Final Course” com seus riffs ensandecidos na combinação fuzz/wah.

No fim, é o bom e velho rock de garagem (pra ser ouvido no volume máximo) feito por senhores de meia idade: simples sem ser simplório, divertido sem ser babaca e adulto com vitalidade e frescor adolescente.

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