ESSE EU TINHA EM VINIL: Surfer Rosa (Pixies, 1988)

ANTERIORES:
+ Fear of Music (Talking Heads, 1979)
+ Unforgettable Fire (U2, 1984)

Por volta de 1988 ou 1989, numa de minhas idas rotineiras ao saudoso Cabaret Voltaire, me deparei com uma música absurdamente original que me fez pensar: “Que linha de baixo maravilhosamente simples e genial é esta (rolava Bone Machine na velha vitrola)? Que banda do cacete é essa, que mistura inglês com espanhol?”.

Pego a capa do vinil e lá está aquela mulher de saia e com os peitos à mostra, um violão ao lado e um crucifixo na parede. Ou seja, tudo a ver com os temas das músicas daquela banda: sexo, religião e canções compostas ao violão.

“Surfer Rosa” era o disco. Pixies era o nome da banda.

Que banda legal! Pensei.

Dos alto falantes, que mal davam conta dos graves poderosos do baixo de Kim Deal, saltava uma música feroz, enriquecida com batidas secas ao violão, mas cheia de espaços vazios, costurada aqui e ali por riffs de guitarra agudos; uma cozinha peso pesado com ênfase no baixo ritmado , enquanto um possesso conhecido por Black Francis despejava seus versos surreais em berros, contrapondo-se à suavidade dos vocais de Kim.

Pérolas do surrealismo, do nonsense, da loucura em temas de mutilação, morte e outras bizarrices das letras de canções com títulos curiosos: “Bone Machine”, “Vamos”, “Wave of Mutilation”, “Break my Body”, “Where is my Mind”.

Assim fui apresentado ao universo dos Pixies, tornando-me fã na hora, e nunca mais fui o mesmo.

Comprar aquele disco era missão de vida ou morte. E não tardou a tê-lo na minha pequena coleção, tornando-se rapidamente um dos discos que mais passaram pelo prato do antigo 3 em 1 Gradiente de lá de casa.

(Esse post é parte de um texto sobre os Pixies que foi publicado originalmente no Urge Zine nº 2, lançado em julho de 2000. Fiz algumas pequenas alterações em relação ao original)

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3 pensamentos sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Surfer Rosa (Pixies, 1988)

  1. Engraçado que tenho toda uma história com o Pixies. Fui conhecer a banda através de um amigo, digo, tinha lido acerca deles na revista Bizz e depois encontrei esse cara que já tinha todos os vinis. Claro que a minha missão foi levar alguns K7’s e deixar ele gravando. Logo, esse eu tive em k7, primeiramente. E lembro que acabei ouvindo de trás pra frente, acreditem. Acho que na época ele só estava com o Trompe Le Monde e o Bossanova, então, fui conhecendo tudo ao contrário. Mas quando eu ouvi esse, meu coração pulou, e eu ficava imaginando tudo que o crítico da Bizz tinha falado, e ficava alegre por ter esse direito agora de ouvir o disco. Depois acabei comprando todos eles na versão importada. Gastei um dinheiro bom, não vou mentir, mas é algo para se guardar e que vale mais do que um MP3 perdido no HD. Boa resenha, Luciano.

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  2. Rapaz, se tivesse que escolher entre Surfer Rosa e Doolittle…fico com os dois. São pegadas diferentes, mas ambos são clássicos.

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  3. Marcio Braga :
    Sou suspeito para falar dos Pixies, minha banda favorita de todos os tempos, esse é um clássico, com certeza o disco que influenciou todas as guitar bands do mundo! crueza, insanidade, selvageria, esporros de guitarra, urros, gritos, melodias perfeitas e doçura. Tudo tocado numa paulada só como se fosse um ensaio de garagem! isso q torna esse album uma obra prima que na minha concepção só perde no top 10 de todos os tempos para o “Doolitlle”.

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