CINEMA: Rush (Rush – No Limite da Emoção, 2013)

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Em 1976 eu ainda tinha menos que 4 anos. Não me lembro de muita coisa da TV, mas conforme cresci, fui ouvindo pessoas mais velhas falando sobre o tão comentado campeonato de Fórmula 1 do já citado ano. Em contrapartida, nunca fui um fã do esporte, e mesmo ali, nos anos 80, não fazia tanta questão de acompanhar as temporadas e sequer sabia o nome dos pilotos. Contudo, ‘Rush’ é um filme muito bom para quem é fã (ou mesmo não é) da F1.

Só queria me antecipar que também não exalto muito o diretor Ron Howard. Ele conseguiu fazer filmes impecáveis como ‘Uma Mente Brilhante’ (2001), entretanto, há películas fracas como ‘O Código Da Vinci’ (2006). O que torna ‘Rush’ digno de merecimentos é a recriação de uma época e tratar de um esporte que no cinema ainda está em débito. Mais do que isso, a película mostra um tempo em que paixão pelo esporte, garra e disputas emocionantes eram mais praticadas do que hoje em dia, onde a propaganda, o capitalismo e o lucro sujaram alguns torneios.

O filme gira em torno do duelo acirrado entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda. Claro que o antagonismo de ambos cai não só para as pistas, e sim, pelo modo de viver de cada um. Hunt é o tipo do bon vivant, um praticante da vida hedonista. Lauda por sua vez é aquele bom marido, sério e dedicado extremamente ao esporte. Chris Hemsworth tenta dar vida à figura lendária de Hunt, e também fugir do estigma ‘Thor’ no qual ficou mais conhecido. O destaque mesmo é Daniel Brühl que traz o melhor de Lauda e mostra o lado mais humano de um esportista que, talvez, não tenha recebido tanto reconhecimento no mundo da F1 em geral.


(um filme recomendado para fãs ou não de automobilismo)

ATENÇÃO: ALGUNS SPOILERS
Além da estética cinematográfica, uma das atrações do filme é que Howard testa os sentidos e as sensações do espectador. O barulho dos carros, a chuva que toma conta da última corrida, e mesmo nos momentos mais trágicos (após a queimadura de Lauda) somos sensibilizados em cada cena do filme. Ficamos chocados quando Lauda está no hospital recebendo tratamento dos médicos (cena repugnante para muitos) e até quando ele coloca o capacete por sobre seu rosto ainda em cicatrização nos fazendo sentir a agonia e a adrenalina que é estar em algo tão perigoso. Detalhe importante para a cena da primeira corrida de Niki ao se recuperar em que a tela fica embaçada e novamente, o telespectador se sensibiliza percebendo o sacrifício e a obsessão de vencer do piloto. Parece que realmente estamos no carro passando pela mesma angústia e pela mesma vertigem do corredor.

TEXTO SEM SPOILERS
‘Rush’ pode não ser um dos melhores filmes de 2013 porque as opções cinematográficas foram muitas. Há algumas falhas para alguns espectadores minuciosos e totalmente fãs do esporte, mas são aceitáveis. De qualquer forma, esse já é o melhor filme sobre automobilismo já feito. Com narrativa atraente e emocionante, dando vida a um fato esportivo comentado até hoje e por trazer detalhes de uma época cheia de rivalidades e das brigas por cada ponto. Quando você fica agradecido pelo que o cinema pode nos reservar em seus mais variados gêneros.

IMDB

Filmow

Rotten Tomatoes

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