GEM CLUB – In Roses (2014)

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Antes de ler minha resenha, reparem bem na capa desse disco. Podem visualizá-la melhor aqui. Falo isso porque um grande amigo explorador da boa música (tal qual esse que escreve), diz que ficou como o cara a levitar da poltrona na capa ao ouvir o álbum. Se música é uma arte que nos leva a outras dimensões, que testa nossos sentidos e que nos faz esquivar (até) do mundo real e dos problemas, entendo plenamente a expressão do meu amigo.

O Gem Club, de Boston, é um grupo que faz isso bem, fazer que a música extrapole seu lado artístico chacoalhando com o cérebro e as emoções do ouvinte. A sonoridade que te joga quase numa paisagem ou sonho, uma verdadeira remoedora de boas lembranças. O début ‘Breakers’ (2011) já continha uma lista de qualidades do que podíamos esperar de Christopher Barnes. Três anos depois, o som vem mais lapidado e apurado, os arranjos estão ainda mais dilacerantes, o instrumental está mais intrincado e a melancolia aqui não foi esquecida.

Apesar de receber a tag drem-pop, o Gem Club tenta de tudo para que sua sonoridade se identifique com a música clássica, tanto que a supremacia sonora do disco se baseia em pianos, cellos (cortesia da talentosa Kristen Drymala) e claro, na voz segura e melancólica de Barnes. O trio se completa com a vocalista Ieva Berberian. Tem um porém, para ‘In Roses’, Barnes fez questão de incluir Minna Choi do Magik*Magik Orchestra (que já trabalhou com Zola Jesus e How to Dress Well, entre outros).


Kristen Drymala, Ieva Berberian e Christopher Barnes mostrando seus talentos

Com um grupo assim tão perfeito, criativo e talentoso, canções como ‘First Weeks’, ‘Hypericum’ e ‘Soft Season’ soam magníficas dentro de um minimalismo contagiante, onde mal ouvimos uma batida (e nem precisamos). Por sua vez, ‘Braid’ (a mais ‘agitada’ do disco) traz uma percussão tímida com um belo refrão em que o cello faz bonito numa melodia pungente. ‘QY2’ é apenas instrumental e traz todo um clima soturno, não tão menos agradável.

O disco ainda atingirá o miocárdio do ouvinte em dois grandes e belos momentos. ‘Idea For Strings’ traz um coro de vozes com Barnes desfiando sua poesia e sentindo à vontade nos pianos. ‘Polly’ é o tipo de fechamento redondo, a canção que resume bem a intenção do Gem Club de fazer uma música de não tão fácil acesso, cheia de detalhes e camadas de instrumentos para percebermos com inúmeras audições (adoro esse desafio). E eu, ainda saindo de minha flutuação corporal, absorto ainda na composição do álbum, tento fechar esse texto, esvaindo em pensamentos e por um dia eu ter descoberto essa arte genial.

Resenha dedicada ao amigo Elton Vascon que me deu inspiração para o início do texto.

Site oficial

Sobre o Magik*Magik Orchestra (citado em meu texto)

Escute ‘Braid’

Um pensamento sobre “GEM CLUB – In Roses (2014)

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