BE FOREST – Earthbeat (2014)

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Por muito tempo a Itália em minha mente sempre esteve associada a pizza, torre inclinada e, infelizmente, Paolo Rossi, o atacante italiano responsável por frustrar toda uma geração de amantes do belo futebol praticado pela seleção canarinho de 1982, talvez o última Copa do Mundo que torci pela Seleção Brasileira.

Em relação ao rock, as lembranças vão até uma coletânea nunca escutada chamada Gioventú Sonica, lançada em 1991 e divulgada na seção Zona Franca, da Revista Bizz. Onde bandas italianas faziam cover do Sonic Youth.

Eis então que chegamos até o quarteto italiano Be Forest.

Sua estreia com o surpreendente álbum “Cold” (2011), já mostrava potencial: atmosferas lúgubres, batidas tribais, riffs etéreos esparsos e aproximação com bandas do selo 4AD. Um interessante misto de Dead Can Dance com Cocteau Twins insistia em permear suas canções.

“Earthbeat” marca a busca por uma identidade própria, um pulo do lado mais obscuro para um lado de texturas. A densidade cede espaço para construções mais melódicas, perceptíveis nas opções timbrísticas reverberantes da guitarra de Nicola Lampredi, e com um admirável desenvolvimento dos doces vocais de Erica Terenzi e Costanza Delle Rose. No trabalho de mixagem, a percepção de que as vozes foram colocadas um tanto mais à frente dos instrumentos, que se acomodam no seu papel de tecer as redes oníricas sobre as quais se “deitarão” o canto, mais uma vez, etéreo.

Nota-se que, apesar das mudanças, inclusive com a entrada de um tecladista, o grupo segue por um trajeto parecido para chegar a um resultado um tanto diferente. Continuam desenhando canções de matizes sonhadoras e linhas repetitivas e hipnóticas, mas com entradas mais acessíveis. E a aproximação agora segue mais para os lados do Beach House.

“Earthbeat” é um belo disco, que peca apenas pelo excesso de homogeneidade. Chegando ao seu final bate a sensação de falta de uma maior dinâmica nos arranjos, seja em termos de mudanças de andamentos ou variações percussivas. Por sinal, a percussão é outro dos elementos colocados em destaque pela mixagem, às vezes até de forma exagerada.

Na lista de um a nove, destacam-se “Captured Heart”, com um leve aceno para a world music, onde Erica canta “o desejo de se apaixonar e ter o coração partido…pois por toda a vida esteve morta por dentro”; e a aproximação mais ao pop de “Lost Boy” com suas pinceladas sutis de teclado.

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2 pensamentos sobre “BE FOREST – Earthbeat (2014)

  1. Excelente matéria! Mais interessante ainda por se tratar de uma banda italiana… Inusitado!
    Ouvi o álbum e gostei. Achei interessante a forma como a banda utiliza a percussão. “Captured Heart” é a melhor faixa do álbum.

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