SAIU DO FORNO: Halls – Love to Give (2014)



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Aos 21 anos o londrino Sam Howard lançou “Ark”, seu primeiro álbum sob a alcunha de Halls. Corria o ano de 2012 e a mistura de batidas eletrônicas, instrumentais de tons sombrios e vocais melancólicos para letras doloridas, passou desapercebido por muitos, mas obteve boa repercussão e arrancou alguns elogios em sites especializados. “Love to Give” mantém o projeto na mesma linha melancólica de seu antecessor, com uma diminuída na parte eletrônica e maior presença de instrumentação orgânica, principalmente no uso de piano e guitarras. Com voz de impostação sempre grave e instrumentais que invariavelmente alicerçam climas de tensão, a música do Halls em muitos momentos levará a associações com os trabalhos de Thom Yorke, seja no Radiohead ou em outros projetos, embora sua sobriedade de tons monocórdicos remetam ao Red House Painters de Mark Kozelek. Comparando com “Ark”, Howard define seu novo trabalho como mais sombrio, embora a ideia subjacente seja a de abrir-se mais, arriscar mais, já que as letras de “Ark” eram muito obscuras. A dramaticidade emotiva preenche todos os espaços do disco ao longo de suas nove canções. A faixa título “Love to Give” tem um arranjo que se desenvolve a partir dos vocais à capela e no decurso vai adquirindo novas nuances, texturas discretas que vão se avolumando e criando um clima de dramaticidade épica. Esse tipo de dinâmica seguirá em diversas canções, vide “Sanctus” e “Harmony in Blues”, ou ainda a tempestade sonora de “Ereaser/Avalanche”. Poucas vezes Howard se distancia da antítese que recobre suas canções, nesses momentos encontramos a ótima “Waves”, uma canção de atmosfera densa e contemplativa. “Love to Give” é um ótimo disco de um jovem e promissor compositor que vai expurgando suas dores através da música, construindo um universo equilibrado sob um fio tenso de melancolia e catarse, atraente e perigoso.

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2 pensamentos sobre “SAIU DO FORNO: Halls – Love to Give (2014)

  1. Obrigado mais uma vez por ter aproveitado meu texto, Luciano. E por incrível que pareça, considero que em 2014, até agora, esse tenha sido o único disco a estar em sintonia com o gosto de nós três (eu, vc e Ângelo). 3 conhecedores de música, mas que geralmente tem seus gostos em comum. Acho que é por conta de que o Halls passa por tudo, sem soar nada parecido, por trazer vida nova a um cenário que muitos costumam abominar. Digo mais uma vez: foi graças a internet que conheci esse grupo. E digo outra coisa: não deixem passar isso! Boa resenha.

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  2. Excelente trabalho! Duas resenhas, sendo que a de Eduardo foi em Off. :-)
    Parabéns os dois: Luciano pela resenha em si e Eduardo pelo comentário contundente!

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