OS PARALAMAS DO SUCESSO – “D” (1987)

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+ DEPECHE MODE – 101 (1989)

Em 1987 Os Paralamas do Sucesso se apresentou no Festival de Jazz de Montreux (Suiça) e o registro desse show tornou-se o primeiro trabalho ao vivo da banda – “D”.

A apresentação é contagiante e segura, o repertório é enxuto e interessante.

Aqui o trio (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) conta com a participação de João Fera nos teclados e de George Israel (sax do Kid Abelha) em “Ska”, dando um brilho a mais ao show. “D” é o quarto álbum da carreira da banda e sucessor do bom “Selvagem” (1986), o qual a banda se desvencilhou das marcantes influências de bandas como The Beat e The Police e passaram a explorar uma sonoridade mais brasileira. A abertura de “D” fica por conta da vibrante e inédita “Será Que Vai Chover?”, entre clássicos do grupo como “Ska”, “Óculos” e “Meu Erro”.

Os Paralamas tem como qualidade ser formado por excelentes músicos e por ter letras contudentes. Em “Alagados” Herbert canta: “Alagados de Trenchtown / Favela da maré / A esperança não vem do mar / Nem das antenas de TV / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê”. Em “O Homem” temos: “O homem tolo se põe a lutar por um lado / Até perceber / Que golpeia e sente a dor / Ele é o alvo da própria violência”. Já em “Selvagem” ouve-se: “A polícia apresenta suas armas / Escudos transparentes, cassetetes / Capacetes reluzentes / E a determinação de manter tudo em seu lugar / O governo apresenta suas armas / Discurso reticente, novidade inconsistente / E a liberdade cai por terra / Aos pés de um filme de Godard / A cidade apresenta suas armas / Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos / E o espanto está nos olhos de quem vê / O grande monstro a se criar / Os negros apresentam suas armas / As costas marcadas, as mãos calejadas / E a esperteza que só tem quem tá cansado de apanhar”.

O setlist ainda conta com duas grandes canções: “A Novidade” e “Charles, Anjo 45”, músicas de Giberto Gil e Jorge Ben respectivamente.

Eis um álbum ao vivo nacional que merece uma atenção especial!

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2 pensamentos sobre “OS PARALAMAS DO SUCESSO – “D” (1987)

  1. Gosto muito dos Paralamas e você, Eduardo, complementou tudo que eles são (antenados, influenciadores, etc.) e sua importância no cenário nacional. Não possuo nenhum CD deles mas tenho tudo deles em mp3!

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  2. Muita coisa sempre para se falar do Paralamas. Acho eles bons em tudo: letras, arranjos, ótimos músicos, antenados, influenciadores e conseguiram tomar vários ritmos e gêneros. Há quem brigue que Herbert não canta bem, que não tem fôlego para a voz, mas isso é gosto de cada um. Engraçado que conheci esse vinil na casa de um amigo, e na época, não dei muita atenção. Depois consegui o ‘Selvagem’ (1986) que vc citou em seu texto, através de uma fita k7 (sim, acredite). Hoje em dia, tenho alguns CD’s deles (o ‘Nove Luas’ tb é primoroso), e isso graças a um pai de um amigo que – veja só – tinha enjoado da banda (sorte a minha, hehe). Boa resenha, dando realce a essas letras contundentes (que fazem tanta falta hoje em dia).

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