DÊ UMA CHANCE – Titãs – Õ Blésq Blom (1989)

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Eles já foram conhecidos como Titãs do iê-iê-iê. Subversivos, versáteis no palco, polêmicos para certas pessoas. Uma banda com 8 integrantes, dando chance a ter 5 vocalistas até. Bem, disso todo mundo já sabe e não preciso nem detalhar mais sobre essa grande banda do Rock BR 80 e que chegou ir mais adiante, talvez ficando mais comercial e perdendo suas características ou ainda tentando se incluir na geração mais nova. Mas a verdade é que à medida que o Titãs foi se desmanchando e perdendo seus grandes componentes, o grupo foi definhando em suas ideias musicais e na discografia perfeita que vinha realizando.

Por que ‘Õ Blésq Blom’ aqui nesta resenha? Enquanto lá fora alguns discos desenhavam o momento musical que vínhamos passando, ou por qual a década ia terminando, tome como exemplo ‘Technique’ do New Order e ‘Doolittle’ do Pixies (ambos de 1989), no Brasil o Titãs veio com um disco certeiro e estilhaçado em vários gêneros, mas tudo se juntava e dava a chance de que o mundo precisava fazer música dessa forma, mesmo que os gêneros continuassem iguais de outros anos. Mesmo que algo fosse reciclado, o método era descobrir novas estratégias para uma década nova que surgiria. O segredo seria então quais ingredientes colocar num caldeirão sonoro bem preparado. E isso o grupo fez.


(oito músicos que ajudaram a redefinir a música no Brasil)

Em ‘Õ Blésq Blom’, o octeto resumia todos os seus discos anteriores, além disso, a banda se mostrava ainda mais madura e antenada com a música mundial, com o que a música brasileira já teve de influência com o passar dos tempos. Tudo ligado ao grupo aqui se agiganta: ousadia, irreverência, técnica, versatilidade, energia, letras, críticas e mesmo a alegria que o pop-rock deve deixar no ouvinte. Algo até inovador no rock nacional, a banda se teve ao luxo de chamar um casal de repentistas recifenses, Mauro e Quitéria, para abrir e fechar o disco. Porque o rock começava a ser menos tradicional e precisava descobrir novas saídas e artimanhas para um cenário musical talvez já saturado.

O estilhaço sonoro vai nos atingindo, e tal qual a capa que nos sugere remendos ou mesmo colagens, assim o grupo compõe o curtíssimo disco. ‘Miséria’ é o melhor da eletrônica que grandes nomes da música estrangeira já executavam. E ainda temos a letra crítica e peculiar do Titãs que casou de forma perfeita com aquela batida. ‘Racio Símio’ é o jeito perfeito do grupo em parodiar provérbios/ditados populares.


(quem teve a chance de ter o vinil pode conferir uma arte gráfica muito bacana)

A canção mais longa do disco, ‘O Camelo e o Dromedário’, é um momento lúdico e reflete a genialidade do grupo que vai traçando diferenças entre dois animais sob uma base entre o eletrônico e o pop-rock. ‘Palavras’ e ‘Medo’ são as que mais lembram o Titãs do início de década. A primeira é mais puxada para o rockabilly e a segunda é um puro e enérgico punk, ambas com letras inteligentes apesar do minimalismo que carregam.

Dois momentos são importantes nesse álbum. ‘Flores’, que mesmo num disco tão multifacetado e estranho de início, deixava transparecer a chance de existir algo radiofônico (e foi). Um riff de guitarra memorável, uma letra cheia de metáforas e sentidos, que até hoje é um dos trunfos da banda. A segunda, ‘O Pulso’, inova com uma batida hipnótica que nos remete a uma pulsação, trazendo um Arnaldo Antunes num dos seus melhores momentos. Antunes vai desfiando uma lista de doenças/moléstias e a canção representa um momento que até hoje ninguém conseguiu imitar. Junto com ‘Cabeça Dinossauro’ (1986), um dos melhores momentos dessa banda que deve ser respeitada, não importa o rumo que tenha tomado.

Um pouco da história do grupo, aqui

E o quê significa, oras, esse título? Eis aqui

Veja o vídeo de ‘Flores’

3 pensamentos sobre “DÊ UMA CHANCE – Titãs – Õ Blésq Blom (1989)

  1. Pois é, Angelo, creio que nessa fase anos 80, praticamente tudo do Titãs é bacana e merece crédito para resenhas como essa. E depois, ainda gosto de ‘Tudo Ao Mesmo Tempo Agora’ (1991) e ‘Titanomaquia’ (1993) que se aproveitavam bem dos gêneros da época, neste caso, coloque o grunge que tomava conta. Ainda ali existia uma parcela do que me agradava na banda: subversão, letras, sarcasmo, irreverência e o jeito descontraído de se fazer pop-rock. E obrigado pelo elogio. Abraços.

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  2. Excelente matéria! Grande álbum… Eu ainda incluiria o “Jesus não tem dentes…” como também um dos melhores da carreira da banda!

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