CINEMA: 47 Ronin (47 Ronins, 2013*)

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Qualquer produção que busque retratar um pouco da cultura oriental ganha alguns pontos comigo. Sou um curioso a respeito de tudo que fala da terra do sol nascente. ’47 Ronins’ chega mostrando isso, mas sem um charme convincente e ausente de uma produção que fosse mais centrada nas tradições e contos japoneses. Em certos momentos, penso até que a narrativa poderia ser mais aprimorada e maior para se encaixar como série (pois séries assim estão até em falta). Não conhecia essa história nipônica, uma lenda milenar japonesa que originou o filme de Carl Rinsch.

O longa de Rinsch molda uma história do Japão em padrões hollywoodianos. Enquanto existem aspectos que retratam a cultura japonesa de certa forma até plausíveis, outros resvalam para o show de efeitos que o cinema tenta empurrar a fim de preencher lacunas nas narrativas ou em roteiros inconsistentes. A cerimônia para receber o shogun, rituais como o Sepukku** (a fotografia ficou bem elaborada neste momento), samurais, abordagem sobre Ronins, a cenografia e a arquitetura do Japão, figurinos, cores, tudo ajuda a não desmerecer o filme de todo. Porém, exageros acontecem, sobretudo nas cenas de luta. Se na primeira meia hora a coreografia de uma luta de samurais encanta e promete, não podemos dizer o mesmo do que virá depois. A cena entre Kai e a feiticeira (transformada) é um abuso de efeitos e tira um pouco a técnica das lutas milenares que aprendemos a gostar da cultura japonesa. E o que deveria sair num tom mais competente à história do Japão feudal, acaba sobrando para algo ficcional demais (que ser é aquele que tentam personalizar em Lorde Tengu?). E mais uma vez, algo extremo nos níveis de ‘Matrix’ (que Keanu Reeves também estrelou).

Keanu Reeves (Kai) desempenha um papel morno. Vale ressaltar que ele não é o personagem principal (apesar de tentarem isso), até mesmo porque o filme gira em torno dos 47 ronins. Claro que a ideia aqui é jogar Kai como um herói mestiço que aparece na hora certa. O elenco japonês também vem com alguns nomes já conhecidos, ressalto a participação da bela Rinko Kikuchi no papel da feiticeira (a atriz já havia trabalhado bem em ‘Babel’). Outra bronca dos espectadores fica por conta do filme ter um elenco praticamente todo japonês e a língua usada ser a inglesa, o que talvez tira a originalidade do conto japonês. Muita ação com um clima carregado de fantasia, efeitos, criaturas e mais várias cartadas visuais para um filme render no cinema em 3D. A história passa distante. A película vale como um fugaz entretenimento num dia de domingo. Prepare a pipoca e não espere muita coisa.

*2014 no Brasil
** O ritual Seppuku

Curiosidade: como uma ironia, ’47 Ronins’ esteve na pré-votação como um dos indicados ao prêmio Framboesa de Ouro em 2014 (que é um reverso do Oscar, premiando os piores filmes do ano).

Observação: existe outro filme de 1958 que retrata o conto antigo, para quem se interessar, veja os detalhes aqui

IMDB

Filmow

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