DÊ UMA CHANCE – This Is Ivy League – This Is Ivy League (2008)

Anteriores:
+ Titãs – Õ Blésq Blom (1989)
+ Violeta de Outono – Violeta de Outono (1987)

Na década passada, a cena musical do Brooklyn foi responsável por inúmeras bandas que surgiram. Muitos grupos ficaram famosos, outros acabaram esquecidos ou perdidos pelo tempo. This Is Ivy League é um duo vindo do famoso bairro nova-iorquino. Dois amigos (Ryland Blackinton e Alex Suarez) que durante os anos 90 estudaram juntos numa faculdade de NY. Em 1997, ao se formarem, se separaram e cada um foi para seu canto. Inclusive, Sanchez é formado em culinária. Quase 10 anos depois, em 2006 praticamente, os dois se reencontram e decidem criar então o This Ivy League. Sem contar que também já fizeram parte de um grupo emo – é verdade – chamado Cobra Starship. Ufa! Confuso? E isso não seria nem metade para dizer sobre os dois músicos, mas, dileto leitor, vamos para a análise do álbum que é o assunto em pauta dessa resenha e que deve soar mais importante.

Quanto à sonoridade, logo nos primeiros minutos do disco notamos semelhanças com Simon & Garfunkel, Belle & Sebastian (‘A Summer Chill’ e ‘Richest Kids’ até parecem canções deixadas de fora de algum disco dos escoceses), Camera Obscura, ecos da sonoridade sessentista (Love, Beatles, etc) e traços do indie-pop da atualidade. Mais impressionante é saber que ambos, Ryland e Alex, assumem o cargo de quase todos os instrumentos utilizados em estúdio (baixo, guitarra, sintetizador, bateria, etc).

Um disco alegre, que faz você se sentir como estivesse em algum lugar bonito – quase paradisíaco – olhando para um horizonte distante sem preocupação ou correrias da vida moderna. Praticamente não há espaço para a melancolia. Até que a acústica ‘Modern World’ tenta te passar isso com uma sonoridade simples e discreta. Ou mesmo, a dupla muda a sonoridade mais alegre, direta e rasteira para compor peças de pop-folk bucólico ao extremo como ‘Til The Day’. Porém, até as duas canções deixam o ouvinte em estado de felicidade. ‘Viola’ traz um toque meio retrô, sobretudo com influências de bossa-nova. ‘London Bridges’ se aproxima de bandas da notória Class Of 86’. Dedilhados rápidos de guitarra, linha de baixo se sobressaindo e aquela cara de hit memorável com refrão grudento (tanto que figurou no EP do duo).

Canções se aproximando de um tímido reggae aparecem. ‘Visions Of Tokyo’ nos passa essa sensação. Claro que Alex e Ryland sabem dosar bem os instrumentos e as composições são repletas de detalhes que se mesclam a outros tantos. Trompetes dão um charme à mais em ‘Love Is Impossible’ e guitarras ficam em estado frenético na veloz e desenfreada ‘Don’t Waste Your Love On Me’. Sintetizadores beirando o psicodélico cumprem o serviço na elegante ‘Celebration’.

Se existe a expressão ‘disco para o verão’, sem dúvidas esse é um que poderia estar encaixado como tal! Não apenas um disco bonito de se apreciar, mas que revela dois músicos com percepção musical e com boas ideias. Não vi mais nada da dupla, justamente quando é o segundo disco que o ouvinte mais aguarda. Sempre fiquei curioso para saber se Alex e Ryland poderiam vir com algo mais contundente, arrebatador, longe da penumbra de suas influências (leitor, releia o segundo parágrafo/bloco se for preciso).

No Allmusic

Myspace

Escute ‘The Richest Kids’

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s