TITÃS – Nheengatu (2014)

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O tempo passou e o Titãs continuou. Uma espécie de dinossauro, talvez não mais com a mesma força, porém ainda a ser respeitado. Perdeu/renovou integrantes, tentou conquistar a geração mais nova, foi lançando discos embora nem tão comentados. Acontece que o Titãs conhece música, tem fervor pela arte e ainda tem componentes de peso como Sérgio Britto, Paulo Miklos, Toni Belotto e Branco Mello. E quando o Titãs volta aos seus primórdios, ou então assume uma postura mais crua e crítica, praticamente eles não falham, tanto em letra como música. ‘Nheengatu’ tem semelhanças (bem-vindas) com outros discos anteriores tais como o imbatível ‘Cabeça Dinossauro’ (1986) e o trabalho bem influenciado pelo grunge, ‘Titanomaquia’ (1993).

Aqui não existe romantismo, a eletrônica fica de fora e talvez nem haja algum hit urgente. Totalmente cru, guitarras pesadas e ágeis, letras ácidas que contestam fatos que acontecem sobretudo em nosso país: o abuso policial (‘Fardado’), pedofilia (‘Pedofilia’), preconceito racial e intolerância sexual (‘Quem São Os Animais’), a violência contra a mulher (‘Flores Pra Ela’), o cotidiano da sociedade (‘República Dos Bananas’). Um disco direto, rápido e inciso (14 canções em menos de 40 minutos), sem firulas, um resgate às raízes do grupo e um de seus grandes trabalhos de 2000 pra cá.

A música do Titãs volta a ser enérgica e contundente. As letras continuam sendo um dos atrativos das características do grupo. A música de protesto de faz presente, fique tranquilo pois aqui tem de sobra (‘Não Pode’ é uma delas). Mais do que isso, as letras aqui representam as ideias do Titãs em 30 anos de carreira. Nada falta. ‘Cadáver Sobre Cadáver’ é um dos melhores momentos do disco e nos faz questionar sobre a efemeridade da vida. ‘Canalha’, um cover de Walter Franco, vem envolta numa pseudo-melancolia e constitui outro destaque do disco. Sarcasmo, deboche e a ironia, outros trunfos da banda, estão presentes nas canções ‘Chegada ao Brasil’, ‘Eu Me Sinto Bem’ e ‘Senhor’.

Vale lembrar que esse não é um disco exclusivamente de inéditas, até mesmo porque algumas canções aqui já tinham sido tocadas em shows da banda. Eu, que há muito tempo não escutava um disco de rock nacional com afinco, me senti até traído com isso (e gostei dessa situação). Para uma banda que muitos julgavam estar despedaçada e abatida, ‘Nheengatu’ é um soco na consciência e nos incrédulos sobre a banda. Por alguns momentos, inclusive, parecia estar vivenciando novamente o rock BR80. Deixe se levar por essa torre titânica você também. Esse é o décimo quarto trabalho de estúdio do grupo.

Curiosidade: a capa do disco é um pedaço da pintura ‘A Torre de Babel’ de Pieter Bruegel.

Sobre a concepção desse disco, saiba mais aqui

Discografia da banda

Veja o vídeo de ‘Fardado’

2 pensamentos sobre “TITÃS – Nheengatu (2014)

  1. Obrigado, Ângelo. Esse disco me agradou bastante, até mesmo porque volta com aquela questão que continuamos precisando de música de protesto (e parece que ninguém mais quase liga pra isso ou virou babaquice falar de coisas que atormentam ainda nossa sociedade, enfim…). E está com o padrão Titãs de qualidade: enérgico, subversivo, ácido, direto, bem produzido.

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  2. Bela resenha Eduardo! Titãs realmente conseguiu resgatar uma sonoridade dos seus áureos tempos apesar de não possuir os integrantes de outrora. Uma resenha que acerta em cheio… Parabéns!

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