SONS EXÓTICOS: The Paper Chase

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O que falar ou pensar de uma banda que coloca um homem seminu enforcado na capa do CD? E que a mesma já tem três álbuns lançados anteriormente, cujos nomes não soam nada agradáveis, tais como ‘Young Bodies Heal Quickly, You Know’ (2000), ‘Hide The Kitchen Knives’ (2002) e ‘God Bless Your Black Heart’ (2004)? Inusitado mesmo, não? Pois é, isso tudo é trabalho de um trio vindo de Dallas e que pratica um som regado a jazz, noise, indie, punk e experimental completamente condensado sob uma perspectiva pessimista e amarga; tudo vindo dos devaneios macabros centrados em temas sado-masoquistas e depressivos de seu vocalista/compositor John Congleton, uma espécie de Wayne Coyne (dos Flaming Lips) que sofre de problemas neuróticos e de mau-humor com a vida.

Para falar do grupo em questão, peguei como parâmetro o álbum ‘Now You Are One Of Us’ de 2006. O primeiro destaque fica para o instrumental da banda: baixo pulsante e tocado de um jeito que lembra outros baixistas virtuosos de grupos que abusam de slaps (Red Hot Chilli Peppers, Primus, New Model Army), junte a isso riffs de guitarras incessantes e bateria colossal. Para tanto, ouça ‘The Kids Will Grow Up To Be Assholes’ e ‘The Most Important Part Of Your Body’. Violinos surgem, e em certas ocasiões eles chegam distorcidos de propósito e bizarros como se parecessem zumbidos de insetos, apesar disso, temos violinos bem tocados e bonitos tudo acompanhado pelo desespero de Congleton, bem visível em ‘You Will Never Take Me Alive’.

Algumas faixas são inebriadas de um clima caótico, sombrio e claustrofóbico, por exemplo, percebemos isso claramente em ‘The House Is Alive And The House Is Hungry’. Ainda coloque no liquidificador sonoro da banda: um piano ali, coro de vozes assombrosas e algumas vinhetas conduzidas em forma de discurso (tal como ‘Fitter Happier’ do Radiohead, porém de uma maneira mais estranha e menos robótica). Para se ter uma ideia, existe apenas um momento mais calmo durante as 15 músicas do disco todo, ‘The Song Will Eat Itself’ (observem a ironia). A música em si é pacata, entretanto, tem alguns efeitos em sua composição e integra vozes graves e sussurradas de dar medo no ouvinte.

O disco não é de fácil assimilação. Longo, paranóico, sufocador. Certamente esse não é um álbum que você escuta duas vezes em seguida, ou até mesmo, você deve pular algumas faixas até não absorvê-lo por completo. Como eu já havia frisado no início do texto, lembrei muito de Flaming Lips, sobretudo na fase antiga, propriamente com os trabalhos ‘Hit To Death In The Future Head’ (1992), ‘Transmissions From The Satellite Heart’ (1993) e ‘Taste Metallic Clouds’ (1995). Tudo mais frenético, mais insano e bastante experimental. A banda terminou em 2010 e não teve tanto reconhecimento assim, passando despercebida por muitos ouvintes.

Para saber mais sobre a banda, acesse:
Site
Wikipedia

Escute ‘You’re One Of Them, Aren’t You?’

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