DÊ UMA CHANCE – Prints

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Nunca fui tão sério e tão lúcido ao afirmar isso: não consegui associar o Prints com nenhuma outra banda. Não tão como associar Interpol com The Chameleons ou Shout Out Louds com The Cure. Exemplos de ‘influências’ e ‘influenciados’ que o próprio universo da música estereotipa e geralmente nem são contestados.

Ouvir Prints não remete claramente à nada, ou em contrapartida, remete à muita coisa. Reminiscências de sua mente vão apontando traços musicais que se sobressaíram ao longo da história da música. Um pouco de psicodelia sessentista ou setentista, soul music, harmonias vocais serenas e soberbas (herança de Beach Boys), aquela pitada comum de indie-pop nonsense à la Animal Collective – ligeiramente dando características e pistas do disco, lógico. A voz principal fica num meio termo, teríamos algo de Brian Wilson e até mesmo algo de Peter Gabriel. Outro ponto a favor e para ser elogiado.

As tramas vocais serão a tônica do álbum. A todo momento, o disco te nocauteia com os jogos sonoros que é capaz de proporcionar. E como o próprio título da música de abertura entrega, ‘Easy Magic’ te joga no universo mágico e fácil do Prints e não te deixa sair. Canção com um tom meio à capela, vocais se entrelaçando a todo momento, baixo-guitarra-bateria numa agregação perfeita, tudo acentuado com um piano para realçar a melodia. Em ‘Too Much Water’, mais um elemento é muito bem agregado ao caleidoscópio sonoro do grupo, os assovios.

‘Pretty Tick’ começa com uma bateria magnífica, entra com as vozes marcantes e com suaves dedilhados de guitarra e um baixo – apesar de simples – muito importante no compasso da música. Ingredientes para uma das melhores músicas que ouvi na vida. ‘Blue Jay’ nos engana abrindo uma espécie de bossa-nova atual. A mais adocicada do álbum. De novo, instrumentos são introduzidos na composição de forma magistral. Espécies de nuances instrumentais que vão te hipnotizando. E se deixe ir, sem medo.

Fica difícil notar a letra, e isso mesmo que você tenha um excelente conhecimento da língua inglesa. Por vezes, o grupo canta como se estivesse entoando mantras, ou não tivesse nada para dizer. Os vocais ininteligíveis atingem aceleração, a exemplo de ‘I Wanna Know’. Música com um dedilhado de guitarra estupendo.

Outro rótulo que poderia se encaixar bem ao som do grupo é o low-fi. Subitamente, ouvimos uma desaceleração e uma mansidão própria de grupos expoentes do gênero, tais como Low e Red House Painters. ’All We Knead’ cumpre o papel perfeitamente. ‘End’, por sua vez, fecha o disco com uma faceta mais eletrônica. Teclados espaciais, sons escondidos ao longo da música, vocais repetidos a torto e a direito. Uma composição que entraria com classe num repertório da dupla Chemical Brothers. Destoa um pouco das sete canções anteriores? Sim. Mas o encanto do Prints já se consolidou em seu cérebro. Difícil achar aspectos negativos para esse disco.

Em tempo: Foi muito difícil encontrar a capa, para se ter uma ideia do tanto que esse projeto ficou desconhecido (feito em 2007). Esse foi um projeto que uniu os músicos Kenseth Thibideau (Pinback) e Zac Nelson (Hexlove). Não se comentou sobre outro trabalho dessa dupla.

No Allmusic

Escute ‘Pretty Tick’

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