DÊ UMA CHANCE: The Declining Winter

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A capa do disco (uma paisagem meio que coberta pela neve). O nome da banda que traz o vocábulo ‘inverno’ consigo. O título do álbum (a palavra ‘adeus’ sempre denuncia melancolia, sentimento de tristeza ou até mesmo de perdas). Tudo denuncia que essa obra musical faz questão de fugir da felicidade ou mesmo do estereótipo ‘disco de verão’. Exato! Mas nem tanto! The Declining Winter consegue fazer música para se ouvir trancado num quarto, num dia frio de inverno, lendo um bom livro de sua escolha. Ao mesmo tempo, é uma sonoridade que te deixa feliz e esperançoso; e que pode ser indicada a um amigo sem medo de errar, ou para você, caro leitor, como estou fazendo agora.

A fórmula é simples, porém eficiente. Instrumental competente e em camadas precisas. Poucas vozes. Quando muito, sussurros ou vocais ininteligíveis. Ou mesmo canções carregadas de efeitos vocais nos deixando em estado de frenesi vertiginoso. Em alguns momentos, seria até como se pegássemos os vocais ao contrário empregados em ‘Don’t Stop’ do Stone Roses (volte lá em 1989 e lembre-se). Um ligeiro exemplo: a sinuosa ‘We Used To Read Books’ faz uso de tais vocais em meio a cordas estonteantes e grudentas em nosso campo cerebral.

O Onírico. O etéreo. O cinematográfico. Uma espécie de trindade que sempre está presente nas onze faixas do álbum. Que se aglomera, é absorvida, e aparece em forma de hipnose e nos deixa em estado de transe ou de inércia. Duvida? Ouça ‘Summer Turns To Hurt’ e ‘To Know Gospel’ para concordar comigo. As cordas são bem trabalhadas atingindo níveis fenomenais. Se você é fã de Durutti Column ou de bandas que prezam em tirar melodias impecáveis com dedilhados, ouça logo esse disco. E então, curta ‘York City Three’ com direito a audições de cordas executadas com primor sobre uma bateria letárgica. Um ar mais dançante/eletrônico, embora um tanto quanto discreto, pode ser encontrado facilmente em ‘Oh God C’mon’.

Ainda há de se destacar a candura pop e o jeito dialogado de cantar usado em ‘The Clock Gently Ticking In The Wall’ e o fechamento áureo com a música ‘Goodbye Minnesota’. Quando o disco acaba, você nem sente que se passaram 43 minutos. Você pode (deve) se dar ao luxo de ouvir tudo novamente (uma, duas, quantas vezes forem possíveis). Ouça mais detalhes, perceba nuances, trechos e detalhes escondidos, palavras semi-inaudíveis. Não faltam motivos para isso, uma vez que sensibilidade musical, paixão pela arte e composição apurada somam pontos para posteriores audições.

Por trás disso tudo, um músico de Leeds (Inglaterra). Richard Vincent Adams. Sem muitos resultados pela internet, descubro que o artista tem também uma banda denominada Hood. Não me perguntem como se processa a sonoridade do Hood, que não saberia dizer. Sei exprimir o que Richard conseguiu fazer aqui, usando do nome The Declining Winter. Conseguiu usar a internet e todo o potencial de recursos de gravação para divulgar o seu trabalho. Em vez de usar tais ferramentas para o mal, utilizou para o nosso bem e para fazer nossos dias mais completos e radiantes. O que Richard lançou depois foi até atraente, mas nunca aos pés desse ‘Goodbye Minnesota’ (2008).

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