NITE FIELDS – Despersonalisation (2015)

NOTA: 7,5

“Atmosferas lúgubres assomam o álbum dos australianos Nite Fields”

ANTERIORES:
+ SHORES – Precedents (2015)
+ THE DODOS – Individ (2015)

A arte imitando a vida.

A Despersonalização ou Síndrome de Despersonalização “consiste de episódios persistentes ou recorrentes em que o indivíduo tem uma sensação de irrealidade e distanciamento de si mesmo, como se estivesse em um sonho ou filme”.

Vítima dessa síndrome, Danny Venzin, o vocalista da banda, quase morreu ao ter uma crise enquanto dirigia, conforme entrevista.

Não por acaso o nome do álbum.

Formado na Austrália em 2011, o quarteto estreia com um disco onde assomam atmosferas lúgubres, espalhadas em canções de tons sombrios numa ponte que conduz o ouvinte de volta aos climas pós-punk oitentista, inclusive com a utilização de passagens instrumentais gélidas pontuais.

Canções que induzem viagens, que evocam paisagens difusas e nostalgia.

“You I Never Knew” pode ser considerada, sem risco de parecer apressado, uma das melhores de 2015: com clima desolador mas saudosista, por conta dos riffs melódicos, a sensação é de reconforto. O Nite Fields reaviva a aura comum em bandas como o The Church, seus conterrâneos. Aura que paira em sua meio-irmã “Prescription”.

Nesses momentos em que a música do Nite Fields parece mais bailável, pode-se imaginá-los querendo atingir as pistas de dança pós-punk.

Em faixas como “Fill the Void”, “Come Down” e “Hell Happy”, os caminhos a seguir são mais tortuosos e de maior densidade, alcançando o ápice na longa e lenta “Winter’s Gone”, que nas mãos de outra banda poderia seguir um crescendo e se tornar épica, mas com o quarteto apenas vai criando uma clima de soterramento ruidoso e mais introspectivo.

Entre os dois lados – e os temas instrumentais -, sobra espaço para uma anti-balada ao violão a la Bauhaus, a contemplativa “Like a Drone” com seus acordes dissonantes.

O passeio conduzido por ‘Despersonalisation’ pode não ser dos mais originais, mas a intensidade compensa.

2 pensamentos sobre “NITE FIELDS – Despersonalisation (2015)

  1. Valeu Eduardo. Engraçado que vi várias resenhas que citavam new Order, The Cure, Dead Can Dance, Joy Division, mas nenhuma citando The Church, que na minha opinião é a referência mais forte deles. Minha preferida é ‘You I Never Knew’. EM relação ao futuro, é uma banda a se observar.

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  2. Boa resenha, Luciano. Falando sobre a origem da banda, as características, e sobretudo, essa semelhança com os conterrâneos do The Church. O Nite Fields me lembra muito o The Church, porém, acho que a banda pode moldar um trabalho com mais identidade no futuro. De qualquer forma, esse foi um disco que me acompanhou bastante em meu trabalho e nos meus passeios, e periga ser um dos meus melhores do ano. ‘Prescription’ é linda, de fazer chorar quase.

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