MOTORAMA – Poverty (2015)

NOTA: 6,0

motorama - poverty

“Com dez anos de existência banda russa soa apressada em seu terceiro álbum”

ANTERIORES:
+ NITE FIELDS – Despersonalisation (2015)
+ SHORES – Precedents (2015)

Pergunte a Vlad (vocalista do Motorama) sobre o nome da banda e ele dirá que não gosta, mas que não pensa muito a respeito. Pergunte sobre sua cidade de origem (Rostov-on-Don, Rússia) e ele dirá que não é nem um pouco empolgante falar sobre, acrescentando que em geral a situação lá é deprimente e desinteressante, e a internet a solução para se descobrir coisas novas.

Chegando aos dez anos de formação, o grupo russo chega ao seu terceiro disco com algumas mudanças de formação, mas mantendo os elementos que tem sido a base de suas canções em seus discos anteriores, apenas com pequenas mas perceptíveis oscilações.

Tendo o post-punk oitentista como paradigma em suas criações, é quase redundante falar que na música do grupo o baixo assume uma posição central nas composições e que os vocais assumem um tom gélido, mas não gutural.

Em ‘Alps’, o disco de estreia, os elementos post-punk (cozinha poderosa em primeiro plano) compartilhavam lugar com riffs de guitarra no estilo jangle-pop. Com ‘Poverty’ os ares são mais soturnos, com o baixo em maior destaque ainda, as guitarras mais esparsas (teclados mais presentes), e os arranjos minimalistas.

A lembrança que mais virá à mente em várias faixas será de alguma música do The Cure na longínqua fase “Three Imaginary Boys”, com alguma recorrência também ao post-punk dos obscuros The Wake.

A forte sensação de déja vu por si só já pesa contra esse novo álbum e o deixa degraus aquém de seus antecessores. Não só por isso, também a indisfarçada linearidade com que as faixas se sucedem do início ao fim. Pegue a faixa ‘To The South’, uma das mais bacanas do álbum anterior (Calendar, 2012), e tente replicá-la de formas diversas, e o ouvinte poderá ter uma noção de quase todo o álbum.

‘Calendar’ também cometia o “pecado” da auto-repetição, com variações mínimas de andamento e estrutura dos arranjos, numa forma menos intensa. ‘Poverty’ não varia, segue reto, cru, amplificando erros. Num exercício temporal, é como se os dez anos fizessem com que a banda se tornasse menos preocupada com os arranjos.

Mesmo com os três anos de distância do álbum anterior, o Motorama entrega um disco que soa apressado e não é só pela pequena quantidade de faixas e curta duração do álbum, mas pelas razões já ditas.

Chega a ser irônico que a canção em que soa um pouco mais diferente do padrão se chame justamente “Similar Way” (Maneira Similar).

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3 pensamentos sobre “MOTORAMA – Poverty (2015)

  1. Um bom álbum…. acredito que a idéia central do som da band continua. O uso do baixo é muito relevante… Despejando riffs certeiros e marcantes. Som gutural.

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  2. Tudo que vemos nesse disco novo já vimos nos anteriores com uma roupagem mais interessante e menos derivativa. Pra mim este não só está aquém dos anteriores como segue bem repetitivo e algumas vezes monótono. Valeu pelo comentário, nem sempre as percepções batem.

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  3. Penso diferente, Luciano, apesar de você apresentar argumentos sempre lúcidos em seus textos. Há de se louvar os russos do Motorama por fugir dos países mais tradicionais e com bandas mais conhecidas hoje em dia. Tome por exemplo os países nórdicos, EUA, UK e Canadá. Correndo por fora dessa geografia, o Motorama hoje, pode ser considerado como um dos mais legítimos herdeiros do Joy Division e talvez, um dos melhores expoentes da música atual vinda da Rússia. Apesar de poucas mudanças serem notadas nos últimos trabalhos, difícil ficar inerte a um disco que funciona redondo, da primeira à ultima canção. A energia punk de ‘Old’, a bateria vertiginosa de ‘Similar Way’, o sintetizador que trabalha corretamente na mistura de punk e eletrônica em ‘Write Me’ (percebi até uma certa semelhança com Simple Minds no início de carreira). O baixo marcante e hipnotizante de ‘Dispersed Energy’ poderia nos confundir e nos fazer acreditar ser alguma canção feita lá em 1978/1979. ‘Red Drop’ traz outra peculiaridade da banda: mesmo com guitarras mais límpidas/dedilhadas, o espírito punk/pós-punk nunca se esvanece.

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