THE AMAZING – Picture You (2015)

NOTA: 8,0

“Banda sueca esbanja sofisticação e riqueza melódica em quarto disco”

ANTERIORES:
+ SUFJAN STEVENS – Carrie & Lowell (2015)
+ MOTORAMA – Poverty (2015)

Já está estabelecida a cena musical sueca como uma das mais impressionantes e grande de efervescência criativa. Num país com aproximadamente dez milhões de habitantes, a quantidade de bandas com propostas musicais no mínimo interessantes e diversificada chega a abismar.

Então, se o ouvinte não tem preconceitos em relação à nacionalidade das bandas, gosta de conhecer bandas novas, acha que a maioria dos álbuns de 2015 apenas provocam uma espécie de fastio entediante, vale tentar o The Amazing, um combo formado por membros das bandas Dungen e Granada.

Aos que se sentem desconfortáveis com álbuns com mais de quarenta minutos, vai o alerta: ‘Picture You’ tem mais de uma hora de duração, em dez canções. Aos que ainda assim se aventurarem a ouvir o disco, encontrarão uma banda que, em primeiro plano, tenta evidenciar seu amor pela música, trazendo para suas composições uma diversidade de elementos que vão do rock psicodélico ao folk e chegando perto do progressivo.

Apesar da mistura de gêneros ‘Picture You’ é coeso do início ao fim. As harmonias vocais e o bucolismo por vezes poderá levar a comparações com os americanos do grupo Midlake, inclusive por causa da riqueza melódica, ou a Mark Kozelek (Red House Painters), devido a semelhança vocal. Há uma aura semelhante que paira no trabalho do The Amazing e no dos artistas citados. As referências setentistas muito explicam essa aproximação.

Compor canções “fáceis” não é a preocupação do grupo, a maioria ultrapassa os cinco minutos. A faixa título, “Picture You”, apesar da pegada facilmente assimilável, poderia ser um hit, ultrapassa os nove minutos, com uma longa segunda parte instrumental. Em “Fryshunfunk ” a banda sobe os tons progressivos a níveis que remetem a Pink Floyd, seja nas camadas de teclados, na seção rítmica ou, ainda, nos riffs e solo de guitarra.

Já a bucólica “To Keep Going” junto com a acústica “The Headless Boy”, com direito aos raros backing vocals Anna Jariven, mais parece uma homenagem aos americanos do Red House Painters. Num caminho oposto, “Safe Island” lembra Ride com riffs menos barulhentos durante a canção e tão quanto ou mais na parte instrumental. Interessante como a banda consegue unir várias facetas musicais sem errar a mão e levar a um estranhamento.

Afeitos a viagens sonoras, explicitadas de forma contundente lá no início do álbum com a viagem instrumental de “Picture You” e em pqeuenas doses ao longo de todas as faixas, o grupo voltará a expor sua veia mais psicodélica ou progressiva na longa “Captured Light”. Embora o vocalista Christoffer Gunrup afirme não se sentir muito à vontade quando relacionam a banda a esses estilos musicais.

Da abertura com “Broken” (uma das melhores e mais grudentas canções do álbum) ao final com os slide guitar da bonita “Winter Dress”, joga nas “mãos” do ouvinte um álbum daqueles para se ouvir do início ao fim. Na busca de sofisticação, contempla uma diversidade de nuances e climas surpreendente, os amantes da boa música agradecem.

__________________________________

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s