BLUR – The Magic Whip (2015)

‘Os integrantes do Blur retornam depois de 12 anos trazendo uma boa coleção de músicas inéditas sem perder as características gerais que marcaram a banda em sua vasta carreira’

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‘Think Tank’, 2003. Doze anos se passaram rápido. Disco que não escutei direito, apesar de curtir a discografia dos britânicos, que, digamos, fica acima da média, sobretudo considerando outros grupos do cenário, inclusive daquela leva 90’s chamada Britpop. Muitas morreram pelo caminho, o Blur continuou. Com seu jeito, com suas características, pop-rock para ser levado a sério ou mesmo caindo para o lado lúdico. Mas foi a partir de ‘The Great Escape’ (1995) que o quarteto veio com ideias novas, mais maduro, ousando e trazendo incursões geniais de eletrônica, sopros, arranjos, flerte com o clássico. Acompanharam até movimentos musicais passageiros como o trip-hop (‘Blur’ de 1997).

O problema de falar do Blur é que o autor do texto centra não apenas no grupo, mas também cai para a história de seus integrantes. Graham Coxon e seus trabalhos mostrando ser um guitarrista e um compositor com talento. Damon Albarn, então, nem se fala! Multimídia, inteligente, inquieto em sua busca por novos sons, estilos e projetos musicais. A linguagem da internet? Albarn foi lá e fez o bem sacado, mas volátil, Gorillaz. Se aproximou de paisagens sonoras mais serenas (projeto The Good, The Bad & The Queen). Participou em discos de cantores famosos como a dupla Amadou & Marian. Não foi apenas isso, entretanto paro aqui. Sei que isso contribuiu muito para o cantor, mostrou um desenvolvimento musical/cultural que muitos outros grandes vocalistas daquela época do Britpop não quiseram buscar.

‘The Magic Whip’, o oitavo trabalho de estúdio, traz o grupo em boa forma. Não há novidades, não há originalidade. Mas com certeza é um competente apanhado musical que faz o ouvinte se lembrar de tudo, vinte anos e sete discos de estúdio. Pensem assim, esse disco não é tão ‘Parklife’ (1994) e muito menos ‘13’ (1999). Digo por que foram os inúmeros comentários que surgiram no Youtube. Gosto de pensar numa banda que seja, talvez, a mais britânica de todos os tempos. Ao escutá-los, lembro de The Jam, The Clash, Wire, David Bowie, Kinks e Madness. Contudo, sem soar nenhuma desses grupos/artistas em particular. Soa Blur. Os temas das canções continuam citadinos. Tratar de fatos comuns e rotineiros da sociedade moderna é típico do quarteto. A gente sabe disso, seja nas antigas ‘End Of A Century’, ‘The Universal’ ou ‘Coffee And TV’.

Tem ‘lá-lá-lá’s’ à vontade (‘Ong Ong’), candidatas a hits precisos e certeiros (‘Lonesome Street’), o método infalível da banda de juntar eletrônica com pop-rock e colocar tudo em equilíbrio (‘I Broadcast’). Graham Coxon mostra-se afiado com sua guitarra, sobretudo nos instantes finais apoteóticos de ‘Go Out’. Prepare-se também para escutar uma das cinco melhores músicas do ano até agora, ‘There Are Too Many Of Us’. Momento esse que a gente comprova: Blur envelheceu como um bom vinho em 2015, sem perder o seu jeito Blur de ser, aquela peculiaridade que fez o ouvinte segui-lo até aqui, e nunca desanimar. Daquela turma injustamente mal vista do movimento britpop, não arrisco a dizer que o Blur foi a melhor e a mais resistente de todas, e ‘The Magic Whip’ pode ser uma das provas. Única bronca? A capa do álbum que não fez juz às anteriores do grupo.

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Veja o vídeo de ‘Go Out’

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