MARRIAGES – Salome (2015)

NOTA: 7,0

“Trio mostra qualidades em seu primeiro álbum, mas gera expectativas mesmo é pelo que pode vir em seu sucessor”

ANTERIORES
+ BLUR – The Magic Whip (2015)
+ THE AMAZING – Picture You (2015)

Com tantos novos nomes de bandas que se vê estampado em sites, blogs, revistas, diariamente, a tendência é ir ao encontro daquilo que é já conhecido, o que não deixa de ser curioso porque do que já é conhecido já se sabe o que esperar e isso tanto pode ser bom quanto ruim.

Nem todos gostam de sair da zona de conforto.

O que hoje é conhecido um dia fora desconhecido.

Uma pergunta emerge: O que pode vir de uma desconhecida banda chamada Marriages, com um álbum intitulado Salome e uma capa até instigante?

Voltando no tempo, especificamente ao ano de 2012, e fuçando lançamentos daquele “longínquo” ano, há que se encontrar um tímido EP de seis faixas chamado “Kitsuné”, com uma capa adornada por bonecas chinesas.

Vasculhando as origens, surgirá o nome da banda post-rock californiana Red Sparrowes como a origem do núcleo central do Marriages: Emma Ruth Rundle e Greg Burns.

Entre 2012 e 2015 fizeram shows, amadureceram o conceito musical e, enfim, concluíram um repertório para um disco cheio.

A distancia temporal não marca o afastamento da proposta inicial; apesar de Kitsuné brotar sutileza nas texturas de guitarra, há um lado mais intenso ancorado pela pegada da bateria. Salome (Sargent House) segue adiante deixando desabrochar essa pegada mais forte, talvez por conta da mudança de baterista, e mantém essa tentativa de conciliação entre os dois lados com as texturas e timbres criados por Greg.

A sensação é de uma tentativa de fusão entre o pós-punk de Siouxsie and the Banshees com o peso e a batidas secas do grunge, inclusive na estrutura verso/refrão que sobe, com direito até a efeitos de distorção no baixo.

Numa análise curta e grossa: “Salome” começa num patamar e aos poucos vai escorregando para um patamar mais baixo. Não tanto, é verdade, mas essa oscilação faz com que seu nome não figure num pódio imaginário.

Se a abertura é fator primordial para um bom disco, não há que se reclamar, “The Liar” e “Skin” são de pura intensidade, e entram tranquilas como melhores faixas do disco. A primeira mais direta e a segunda cheia de nuances e quebradas.

“Santa Sangre”, climática e tribal, pula pra trás e volta-se para os anos 80, com ecos pós-punk. “Southern Eye” faz então a fusão entre os lados característicos dos anos 80/90, e o que virá nas faixas seguintes será um exercício de variação dessas ideias com obtenção de maior ou menor graciosidade.

Nem sempre a subida vocal de Emma na entrada do refrão conseguirá um efeito condizente com a canção, se em “The Liar” ela o consegue bem, o mesmo não pode ser dito em “Binge”, que poderia manter-se no clima mais tranquilo. Já em “Salome”, a faixa título, ela encontra a medida exata para alcançar as alturas, inclusive dobrando os vocais e usando efeitos vocoder na ampliação do alcance.

Chegando ao fim, conclui-se que “Salome” não é um álbum ruim, poderia ser melhor se conseguisse ser tão instigante quanto sua capa. Nos melhores momentos ele quase chega lá. Para o futuro precisam resolver o “conflito de influências” e abandonar de vez em quando o paradigma nos arranjos.

Apesar dos pesares, um disco que vale a pena conhecer, principalmente porque sua música não se filia a nenhum modismo vigente. Pelo contrario, é deslocada, tenta encontrar seu próprio caminho.

__________________________________

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s