PUBLIC SERVICE BROADCASTING – The Race For Space (2015)

NOTA: 8,5

“Tão bom quanto seu antecessor, The Race for Space confirma a criatividade do duo Public Service Broadcasting”

ANTERIORES
+ MARRIAGES – Salome (2015)
+ BLUR – The Magic Whip (2015)

Em 2013 o duo inglês Public Service Broadcasting surpreendeu e agradou muita gente com seu álbum “Inform Educate Entertain”, onde criavam bases instrumentais com ênfase em elementos eletrônicos. Embora o que mais chamasse a atenção na música do duo era o uso de samples de informes publicitários ou comerciais antigos em todas as canções. Ali não havia um conceito em termos de temas, mas de ideias.

Em “The Race for Space” eles prosseguem na exploração daquelas ideias, mas com um conceito que perpassa todas as canções: a corrida espacial, evidenciado de imediato no título do disco, especificamente no período que ficou conhecido como Guerra Fria, com Estados Unidos e Rússia disputando quem dava o passo mais largo na conquista do espaço. Em termos de proposta dá pra dizer que “The Race for Space” coloca-se em par com “Radioactivity”, álbum de 1975 do Kraftwerk, onde os alemães penetravam no universo da radioatividade e transmissões eletromagnéticas com uma música de tons frios.

Os mentores do PSB J. Willgoose, Esq. e Wrigglesworth além de músicos (ambos tocam vários instrumentos) são estudiosos da música eletrônica em suas diversas vertentes e trazem um universo de referências para suas composições (Brian Eno, Kraftwerk, Daft Punk, Chemical Brothers, funk, krautrock), que podem tanto seguir para o lado marcadamente eletrônico como o oposto orgânico, com a utilização de baixo e guitarra ou até mesmo banjo. Isso permite que a fórmula não se esgote ao longo do disco, com a possibilidade até de guinadas surpreendentes. A pegada garagem de “Signal 30”, faixa do álbum anterior tinha um quê de Man or Astroman? Por sinal, o uso de samples de diálogos de filmes ou informes publicitários em canções não é novo, o próprio Man or Astroman? já o vem fazendo há alguns anos. O que o PSB faz de diferente é levar isso ao nível mais extremo.

Um ponto marcante que traz grande singularidade às músicas do PSB é a contradição que emerge entre o novo (a música) e o velho (as locuções). As próprias apresentações ao vivo reforçam essa dicotomia, com o duo utilizando guitarra e bateria e mais uma parafernália eletrônica de apoio.

São com esses recursos que “The Race for Space” pretende levar o ouvinte em quarenta e três minutos por uma viagem de volta a cinquenta anos atrás, reavivando toda a aura daquele inquietante período de descobertas. Mantêm-se ainda o conceito implícito no título do primeiro álbum: informar, educar e entreter. Para reforçar o discurso, faixas nominadas convenientemente de “Sputnik” (nome dos primeiros satélites russos), “Gagarin” (Yuri Gagarin, piloto soviético que foi o primeiro homem a ir ao espaço), “Fire in The Cockpit” (com a transmissão do informe da morte de três astronautas americanos durante o lançamento de um foguete) ou “E.V.A” (Extra-Veicular Activity, atividade extra veicular) e o uso recorrente de narrações relacionadas à corrida espacial.

Um tanto diferente de seu antecessor, que tinha um arcabouço mais “dançante”, nesse novo álbum há algumas opções por arranjos de cunho quase épico – talvez pela proposta sci-fi embutida -, com camadas de teclados atmosféricos e retrôs predominando, a conferir a abertura com “The Race for Space” (com discurso de John Kennedy), e as crescentes “Sputnik” e “The Other Side”. Com “Go!”, melhor faixa do álbum, eles mostram o quão estão cada vez mais afiados e perfeccionistas no manuseio de suas ferramentas musicais. Sua levada acelerada de climas retrôs casa-se de forma perfeita ao diálogo dos astronautas da nave Apollo com a base, numa sequência de “go’s” que segue o ritmo da música.

Mais que uma experiência auditiva, o PSB pretende ser uma experiência informativa e sensorial, seus shows geralmente são marcados por projeções de imagens antigas (em preto e branco) que reforçam todo o conceito que cerca o duo.

Com sua proposta bastante original e criativa o PSB mostra que ainda é possível fazer algo interessante sem cair no lugar comum, “The Race for Space” é a prova cabal disso.

__________________________________

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s