SPECTRES – Dying (2015)

NOTA: 8,0

“O barulho na pauta do dia”

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O barulho está em alta já há algum tempo, e dois mil e quinze tem alguns dos álbuns mais barulhentos dos últimos anos: Deluxer (Atrobrite), Fall Into Nothing (93Millionmillesfromthesun), Transfixiation (A Place to Bury Strangers), são alguns exemplos. “Dying” (Sonic Cathedral), primeiro álbum da banda Spectres, engrossa a lista.

Munidos dos ingredientes que tanto podem ser encontrados na sonoridade do Swervedriver quanto do Sonic Youth, o quarteto de Bristol traça duas linhas: uma que une o barulho dois lados do mundo (Inglaterra/EUA) e outra que arrasta a década de 90 para essa nossa. Tal pretensão não é novidade, uma infinidade de bandas vem tentando há anos. My Vitriol e Amusement Parks on Fire entram nessa lista como ex-promessas que poderiam colocar o noise na pauta do dia.

O que difere o Spectres dessas e de muitas outras bandas é a falta de pretensão demonstrada nesse seu álbum. A opção primordial parece se uma só: criar canções recheadas de barulho despreocupadamente com inserção de longas intervenções instrumentais noise, o que pode levar algumas faixas a ultrapassar os sete minutos.

“É como um touro no rodeio”, definem o seu som de guitarras furiosas.

Pescar melodias no oceano de ruídos perpetrado pelo grupo é tarefa difícil. A música do Spectres está mais para a trilha sonora do caos e não dão refrescos ao longo da caminhada, as distorções imperam ao longo de todo trajeto. “This Purgatory” pode ser a canção mais “calma” mais há de fundo uma trama de barulhos e alterações de humor que provocam tornados violentos.

Os vocais de Joe Hatt tem pouco alcance, mas isso em nada atrapalha, no contexto em que constroem suas canções os vocais ficam em segundo plano, mixado no mesmo patamar da parte instrumental, audível mas quase sufocado pelo barulho. A foto da capa capta perfeitamente a sonoridade da banda.

Para quem acredita que as primeiras faixas que abrem um álbum definem os caminhos a serem seguidos, “Dying” traz um trio surpreendente, formado pelas avalanches de “Where Flies Sleep”, “The Sky of All Places” e “Family”. Com uma ideia semelhante ao 93Millionmilesfromthesun, abrem o álbum com uma faixa instrumental só de barulhos, “Drag”, cartão de visitas ao universo dos riffs nervosos que seguirão até os últimos instantes da longa e hipnótica “Sea of Trees”, e sua dualidade entre sinfonia de ruídos estonteantes e calma.

O barulho pode não está na pauta do dia, queima por baixo, submerso. Está batendo forte à porta, e o Spectres pode ser uma dos primeiros a arrombá-la.

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