DAVID BOWIE – Blackstar (2016)

Nota: 9,0

Blackstar_album_cover

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David Bowie. O homem. O camaleão. O músico. Admirado por inúmeros artistas, influenciador de várias gerações e respeitado por sua carreira musical construída sob uma base sólida. Se alguém não gosta, também hesita em falar mal aos quatro cantos. São poucos que mantiveram uma carreira com mais de 50 anos de atividade, com momentos aonde a fraqueza ou os erros foram superados por trabalhos impecáveis. ‘Blackstar’ chega como o vigésimo quinto trabalho do cantor. Mais um álbum de Bowie que não pega referência nítida de nenhum outro trabalho dele, ou melhor, é a soma de tudo que ele criou, estilhaços de tudo que ele lançou no cenário musical. Fora isso, novamente Bowie mostra destreza em lançar canções que não ficam dentro de um gênero padrão ou único. Apesar de uma forte influência do Jazz, ele se apoderou do Eletrônico ou mesmo do Rock sem assumir uma postura fixa de gênero. Bowie quis apenas fazer música em sua melhor forma e deixar que o ouvinte a decifrasse de seu melhor jeito.

Sombrio e difícil (sobretudo a primeira metade), esse é um disco para ser apreciado aos poucos. Um trabalho tão intrincado que para se ter ruma ideia, a música de abertura, ‘Blackstar’, é praticamente dividida em 2, como se fosse duas canções distintas entre si (mas que se completam de forma perfeita). O instrumental e os arranjos, sempre buscados com perfeição por Bowie, aqui não falham. O baixo hipnotizante de ‘Girl Loves Me’, a percussão que faz o ouvinte bater o pé de ‘Tis A Pity She Was A Whore’, a guitarra oportuna no final de ‘I Can’t Give Everything Away. O saxofone aqui também virou uma peça fundamental: ele dá a suavidade magnífica de ‘Dollar Days’ ou mesmo a melancolia certeira de ‘Lazarus’.

Como crooner sempre competente que foi, Bowie igualmente faz bonito. Por vezes faz vozeirão, falsetes, canta com melancolia ou mesmo em estado de fúria, para tanto confira ‘Sue (Or In A Season Of Crime)’. Nos 10 minutos de ‘Blackstar’ é como ouvíssemos duas vozes diferentes: e não é. Em seus 69 anos de idade, o cantor mostrava-se ainda vigoroso e quase um jovem, apesar de fragilizado um tanto quanto pela doença que o matou. Um disco que não conquista o ouvinte logo de início, porém, que depois o recompensa em cada minuto percebido com atenção.

Observação: quando estava iniciando essa resenha, recebo a notícia da morte do cantor. Quase não consegui terminar o texto, ou se consegui, tive que mudar toda uma concepção da escrita, tive que percorrer um caminho do qual talvez eu não quisesse. Espero que a resenha possa agradar e torço para que novas gerações sempre valorizem artistas como Bowie. Eles merecem pelo legado que deixam para o planeta e para a arte, de uma forma geral.

A resenha de ‘The Next Day’ (2013), clique aqui

Allmusic

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