SAVAGES – Adore Life (2016)

NOTA: 7,5

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“Irregularidade e previsibilidade deixam novo álbum das Savages aquém do que poderia”

O punho cerrado na capa no novo álbum das meninas do Savages não é por acaso.

Se você pensou na simbólica ideia de força, acertou.

“Sim, é exatamente isso, queríamos representar muita força, protesto, violência. É o punho de Jehnny que mostra algo como resistência, empoderamento…e o colocamos em preto e branco para dar mais dramaticidade”.

Em entrevistas já haviam afirmado que seu segundo álbum tinha o intuito de “soltar as feras”.

O que dizer então de “Silent Yourself”, o álbum anterior, onde os ouvintes eram apresentados a uma banda de pegada intensamente raivosa e apresentações poderosas?

“Adore Life” não representa o abrandamento do som do quarteto, as Savages asseguram os mesmos elementos sonoros presentes em seu álbum de estreia: uma música crua e de tendência garageira, chegando a resultados mais pesados que podem ser sentidos na abertura com a estrutura punk de “The Answer”.

Segundo Jehnny, esse lado pesado seria fruto das experiências em shows, principalmente nos Estados Unidos, onde a plateia é mais afeita a sons mais brutais. Nova Iorque, cidade escolhida para as gravações, entra como outro fator de contribuição. “I like American audiences. They like heavy music, and the sounds are quite heavy, so it fit pretty well”.

Não há muito que decifrar na música do grupo. Tudo se constrói a partir da cozinha (baixo/bateria), enquanto a guitarra constrói tramas diversas de acordes, riffs e efeitos, principalmente microfonia. Algo comum no que se convencionou chamar de pós-punk e seus diversos representantes: Siouxsie adn the Banshees, Joy Division, PIL, Gang of Four, etc.

No tocante às letras, Jehnny Beth afirma que tentou em “Adore Life” falar sobre o amor de uma forma não clichê, buscando inspiração inclusive nas letras de Michael Gira (Swans), com quem excursionaram. “Eu queria encontrar o ângulo certo. Foi um processo longo, porque não queria cair em clichês. Tem que se estar conectado com algo maior, e eu acho que os Swans tem isso quando Michael Gira fala sobre seu pai ou Deus ou sobre o amor em geral”.

“Adore”, das primeiras faixas que foram apresentadas ao público, é a canção mais emblemática do disco, não só pelo uso recorrente da repetição de alguns versos como por ser o momento em que a banda se entrega a um trabalho de nuances, alternando o delicado e o pesado para fazer uma ode à vida. Trazendo em seu contexto as influências do livro “Crime Against Nature”, da poeta e ativista Minnie Bruce Pratt.

Em “I Need Something New” Jehnny começa gritando que “precisa de algo novo em seus ouvidos”. Marca mais um momento em que “Adore Life” adquire temperaturas mais altas. Baixo de clima denso, bateria tribal e bastante espaço vazio deixado pelos riffs esparsos. E a busca por algo novo parece deixar a vocalista realmente enlouquecida.

O Savages tem uma fórmula e a aplica em seu novo álbum, com variações mínimas em relação ao seu antecessor. O “espaço de manobra” que se acreditava que poderia a vir a ser explorado aqui não se concretiza. Por isso “Adore Life” varia entre o euforicamente atraente e o perigosamente repetitivo.

Bom, mas irregular e um tanto previsível.

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