ESSE EU TINHA EM VINIL: Technique (New Order, 1989)

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“Fina aura melancólica perpassa Technique, o ápice na carreira do New Order”

Saber que eram remanescentes do Joy Division e que faziam música com elementos de eletrônica era o suficiente para que tivesse antipatia com o New Order. Não queria saber de sua música, nunca havia escutado mas não gostava. Não poderia jamais gostar de uma banda que não fazia jus ao seu passado.

Era exatamente assim que enxergava o New Order.

Me dêem um desconto, nessa época a única banda que usava teclados e que eu gostava e venerava era o Kraftwerk.

Já comentei sobre outras bandas que não gostava por um motivo ou outro e que posteriormente se tornaram queridas: Talking Heads, Ramones, Stone Roses (desses falarei posteriormente).

Como é bom abrir o olhos e poder enxergar certas coisas livre de preconceitos tolos e ideia pré concebidas. Dar o braço a torcer e dizer: Poxa, essa banda é boa, como eu estava enganado!

Então minha amizade com o New Order começou com uma apresentação bem despretensiosa de um amigo que havia comprado na capital alguns álbuns deles: Brotherhood, Technique e Low Life, se não me engano.

A medida que ele ia colocando os álbuns, ia encontrando elementos que me agradavam, principalmente as linhas melódicas do baixo de Peter Hook. De forma estratégica ele começou mostrando o Brotherhood, que tem uma pegada menos eletrônica, depois o Low Life e, por fim, o Technique.

Tirando a abertura com “Fine Time”, boas impressões provocaram os álbuns e, resultado, levei-os para ouvir.

Como o texto deve ater-se ao Technique, vou resumir minha relação com ele dizendo que é o melhor disco do New Order, em minha humilde opinião. E que após a audição, acabei fazendo algumas trocas de outros discos pelos do New Order.

Continuo achando que “Fine Time” destoa do restante do álbum, mas de resto há nele uma coleção de ótimas canções compostas pelo grupo, encadeadas numa sequencia memorável como em nenhum outro disco da banda.

Ouvir Bernard Sumner cantar em All The Way que “leva anos para achar o nervo, para se afastar do que você já fez, para encontrar a verdade dentro de si e não depender de ninguém”, mostra um lado lírico nunca antes perceptível nas letras.

A melancolia que exala da melodia e letra de “Love Less” faz uma aproximação com o New Order de Low Life. E até o hit estrondoso Round and Round traz de fundo uma aura saudosa.

A partir daí vem uma sequência de cinco das melhores canções já compostas pela banda, todas carregadas desse delicioso sentimento saudosista mencionado. Com as letras relatando relações partidas, sentimentos incompreendidos, arrependimento e… saudade.

Sempre se falou que o New Order fazia música eletrônica inteligente, que foram mestres e pioneiros em fazer a fusão entre rock e eletrônica como poucos, e não há como negar, com Technique ele atingiram o ápice de sua proposta. Prova disso é que depois dele, nunca mais foram ao mesmos.

E o fechamento do disco não poderia ser mais tocante que os versos de “Dream Attack”: “Nada nesse mundo pode tocar a música que ouvi quando acordei essa manhã, ela colocou o sol em minha vida, cortou meu a batida do meu coração com uma faca, foi como nenhuma outra manhã”.

Technique comprova que as músicas que mais nos tocam são aquelas que marcaram algum momento de nossa vida, servindo como trilha sonora desses momentos, por isso tornam-se inesquecíveis e carregadas de sentimentos, lembranças e nostalgia.

PS: Dedico esse post ao amigo que me apresentou os álbuns do New Order numa longínqua noite de longínquos anos atrás, numa das muitas idas até sua casa para nossas saídas noturnas, para visitar um outro amigo, ou para andar pela cidade ou para ensaiar. Um amigo, que apesar de distante, continua presente, pois a vida é uma soma de experiências, de acontecimentos, alguns ficam esquecidos com o tempo, outros são lembrados, e outros os amigos nos lembram.

3 pensamentos sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Technique (New Order, 1989)

  1. Excelente disco. Atemporal, recomendado até hoje. Um trabalho que, digamos, fecha com chave de ouro uma década reluzente pra música. Mais do que isso, o New Order deixa um exemplo de música que seria seguida posteriormente. Admiro todos os álbuns da banda, porém ‘Technique’ é o ápice deles, é aquele momento em que a banda está mais do que inspirada. Eu tinha em vinil, mas depois de um problema no meu quarto, acabei perdendo o disco (quase uma blasfêmia). Depois adquiri em CD, e até hoje é disco de cabeceira meu (adoro ouvi-lo enquanto estou escrevendo alguns textos). Bela dedicatória na sua resenha.

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