CINEMA: Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton, 2015)

Nota: 8,5

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‘Trajetória de renomada banda de Gangsta Rap é bem representada num dos filmes mais interessantes do ano passado’.

Admiro muito o cinema quando ele retrata a música. Pode ser tanto como em forma fictícia (‘Whiplash’) ou mesmo na parte mais documental/biográfica que traça algum artista ou alguma época específica (‘Piaf’). Apesar disso, considero que há muito pouco sobre o gênero Rap na sétima arte. ‘Straight Outta Compton’ chega contando a história da polêmica banda de Gangsta Rap/Hip Hop N.W.A (Niggaz With Attitude).

A primeira coisa que chama a atenção no filme do diretor F. Cary Gray é retratar fielmente uma época conturbada em que negros eram frequentemente massacrados pela polícia e as gangues proliferavam em cada esquina. Vivendo em guetos, poucos tinham a esperança de sair de uma vida de crimes. Não apenas isso, um tempo aonde vinis tinham sua força, jovens sonhavam em ganhar a vida fazendo música e gravadoras queriam a próxima grande novidade musical. É neste universo que cinco jovens começam a se destacar depois da metade dos 80’s fazendo uma sonoridade agressiva, contundente e que levaria milhares de seguidores aos shows. N.W.A chegou como uma bomba e cheio de qualidades: a magia nas pick-ups e scratches de Dr. Dre, a importância das letras de Ice Cube e a força dos vocais de Eazy-E (que a início hesitou em cantar).

Como quase todo filme baseado na biografia de um artista/grupo polêmico, digamos então que ele pode ser colocado em 3 etapas. O surgimento/começo, o sucesso e a carreira deslanchada, a ruína ou o início das separações dos integrantes. O grupo que começou como uma reunião entre amigos tem seus momentos felizes e amargos, passa a conviver com a fama e com noitadas festivas em hotéis, ônibus e piscinas. Claro que desentendimentos começam a acontecer, egos ficam mais enaltecidos e frequentes confusões com policiais, políticos e puritanos da época passam a virar rotina na vida do grupo. Um bom exemplo é o choque que a canção ‘Fuck Tha Police’ causa, seja nas constantes ameaças de bloqueio da prensagem do disco passando até a tumultos e tiroteios em alguns shows da banda.

Alerto que esse é um filme denso, longo e para ser visto com atenção. De preferência, não esteja cansado. Eu assisti ao menos duas vezes. A linguagem é rápida (uma legenda bem traduzida é vital) e a trama é cheia de reviravoltas (o sucesso e a queda do grupo chegam de uma forma vertiginosa). Ao mesmo tempo, um filme impactante. Com seus momentos lindos, daqueles de ficarem retidos na memória do telespectador (por exemplo, quando Dr. Dre está deitado entre vinis ouvindo música). Claro que temos as passagens amargas (a perda de entes queridos por conta da briga entre gangues rivais) e a película resgata aquela vontade de ouvir a música da época, nos chega à lembrança os bons momentos que tínhamos com aquele vinil novo, com a descoberta da música e o que ela causa em nossos sentidos.

O elenco também atua com responsabilidade, inclusive com direito a Paul Giamatti dando uma de produtor musical e fã do som do grupo. De forma injusta até, o filme concorre apenas a uma premiação do Oscar: a de melhor Roteiro Original. Esteja preparado para ver a história desses 5 desbravadores. Que não se importaram com censura, que fizeram arte para marcar uma geração, que não tiveram medo de desafiar autoridades mostrando sim que música pode ser um desabafo, um panfleto contra as injustiças. Algo que atravessa décadas não pode ser ruim, muito pelo contrário.

Curiosidade: o ator O’Shea Jackson Jr. que fez o papel de Ice Cube no filme é o próprio filho de Ice Cube na vida real.

Para saber mais, acesse aqui

O filme no IMDB

Filmow

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