ESSE EU TINHA EM VINIL: Cocteau Twins – Blue Bell Knoll (1988)

CocteauTwins.BlueBellKnoll.lp

“Canções oníricas para embalar momentos diversos”

Nos idos de 1989, apesar de muito falados por aqui através da revista Bizz, pouco ou nada chegava até a nós dos escoceses do Cocteau Twins. Uma entrevista e uma matéria publicada pela revista nos tentavam a ir à busca de algo da banda urgentemente. Precisava conhecê-los.

Como a vida é cheia de surpresas, e tem coisas que chegam até nós da forma mais surpreendente e inesperada!

Um belo dia um amigo aparece com algumas aquisições vinilísticas diretamente da capital, e entre elas esse “Blue Bell Knoll”.

Surreal!

Lá estava, de forma “palpável”, a música daquele grupo pronta para ser ouvida.

Lá estava aquele disco com aquela capa enigmática, como todas da banda, nas mãos de meu amigo, pronto para ser colocado no toca-discos e, finalmente, revelar sua música para meus ansiosos ouvidos.

Não há como esquecer nem descrever a emoção de ouvir pela primeira vez a música do grupo, que em nada decepcionou. “Blue Bell Knoll”, a faixa que abre o disco, já começa com instrumental e voz entrando juntos. Uma canção densa como poucas do Cocteau Twins, um baixo que descompassa e, em seguida, uma profusão de riffs de guitarra viajantes.

Sublime!

“Blue Bell Knoll” é o quinto álbum da banda, soa como um momento de transição para um lado de aceno mais pop, que se concretizaria no disco seguinte, “Heaven or Las Vegas”, seu maior sucesso.

“Cocteau Twins era gênio”: Guthrie com suas guitarras de texturas sonhadoras, Liz com sua voz para embalar esses sonhos, faziam música “de outro mundo”.

Havia encontrado mais uma banda única, diferente de qualquer outra que já tinha escutado. Uma banda para guardar com carinho no coração. Uma banda para mostrar para todos aqueles que amam música.

Só pra se ter uma ideia do impacto causado, evitava ouvir muito o disco com medo de que ele perdesse o encanto.

Como todos os álbuns da banda não há em “Blue Bell Knoll” canções ruins, algumas mais luminosas como “Carolyn’s Fingers”, cujo clip viria a assistir boquiaberto num programa vespertino da TV Itapoan (SBT), ou o encanto sedutor de “Itchy Glowbo Blow”.

Hoje dá pra perceber de forma bem clara o quanto o álbum tem um pouco do Cocteau Twins de “Treasure” (1984), na estrutura incomum dos arranjos em algumas canções; e de “Heaven or Las Vegas” (1990), no uso de elementos eletrônicos pontuais e na forma como a voz de Liz foi mixada, bem à frente dos instrumentos.

“Blue Bell Knoll” está na lista daqueles discos para se ouvir a qualquer instante: ao acordar, antes de deitar, pra namorar, para desestressar, para ler um livro, ou apenas para se encantar com a perfeita combinação entre música e canto.

Está também na minha lista de álbuns que não tenho mais em vinil, mas tenho em CD.

Não é mais meu favorito da banda, mas continua sendo marco no percurso da minha trajetória como apreciador de música.

Um pensamento sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Cocteau Twins – Blue Bell Knoll (1988)

  1. Conheci o Cocteau com músicas esparsas. Gravei um k7 com músicas aleatórias da banda. Um colega meu havia gravado algumas coisas. Aí, quando estava de viagem pelo RJ, entrei numa loja de CD’s (nos anos 90) e me deparei com o ‘Treasure’ (importado) bem baratinho. O Gilmar disse: ‘não perca essa chance’. Até então, não tinha uma concepção concreta sobre a sonoridade do grupo. Chegando em casa, foi um dos álbuns que mais escutei naquela semana. Depois consegui o ‘Heaven Or Las Vegas’ num preço bem bacana também. Esse, o ‘Blue Bell’ apenas gravei, mas é outro grande momento do Cocteau Twins, que teve uma carreira com poucas falhas, por assim dizer.

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