DÊ UMA CHANCE: Midnight Oil – 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1 (1982)

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Com uma carreira digna de menção, passando por diversas fases e tornando-se uma das mais importantes do cenário musical australiano, o grupo Midnight Oil encerrou suas atividades em 2003. O emblemático vocalista Peter Garrett foi para o senado da Austrália e é quase certo que a banda talvez nunca mais se reúna. Tudo que é bom, deixa suas sementes, seu retrospecto. E assim foi com o Midnight Oil. Para muitos, um The Clash australiano. Banda que começou com aparência punk em seu início lá pelo final dos 70’s. Seguiu uma tendência mais eletrônica, foi um pouco com a maré da New Wave oitentista e que se agigantou aos olhos do mundo de vez com ‘Diesel And Dust’ (um ninho de hits radiofônicos). Muitos momentos, porém nunca perderam, claro, o que tinham de pulsante e sempre vivo: as letras políticas e engajadas em relação aos aspectos ambientais e aos acontecimentos mundiais. Dessa forma, criaram amigos, bem como inimigos (que o diga empresas petrolíferas).

Dentre uma discografia tão ampla, difícil situar um único disco. Caso alguém fosse começar a ouvir a banda, seria um péssimo exercício recomendar um álbum em específico para essa pessoa. Por quê então indicar esse trabalho de 1982? ‘10,9,8,7,6,5,4,3,2,1’ pode ser considerado uma extensão ou continuação perfeita do que vinha sendo executado desde o interessante ‘Place Without A Postcard’ (1981). Aqui, temos um Midnight Oil ainda com a sombra do punk que o alimentou no começou de carreira (‘Only The Strong’ e ‘Read About It’), contudo, já percebendo as características do início de uma década que traria frutos saudáveis e marcantes até hoje.

A banda começava a dar mais detalhes para outros instrumentos como teclados e pianos (‘Scream In Blue’ e ‘Tin Legs And Tin Mines’), baixo e percussão apresentam mais genialidade se sobressaindo em sintonia com a proposta do álbum (‘The Power And The Passion’), a guitarra fica mais límpida e dedilhada em algumas faixas (‘Short Memory’). Até mesmo a eletrônica, que nunca foi tão o forte da banda, aparece um pouco apesar de uma pegada mais discreta (‘Maralinga’). Peter Garrett se constitui de vez como um dos vocalistas mais enérgicos e carismáticos de todos os tempos. As letras continuam com seu poder crítico, contundente e relevante: a má distribuição de renda, poluição, o poder que destrói e corrompe, prepotência dos países ricos, o mundo em colapso (e é só ver a capa do disco numa espécie de caos).

O disco vendeu mais de 250.000 cópias. Até hoje, considerado como um dos mais importantes na discografia do grupo. Prefiro dizer que o Midnight Oil foi traçando novas perspectivas, criando mais possibilidades em sua sonoridade, sem nunca denegrir aquilo que o influenciou. ‘Sim, somos pra muitos um Clash Australiano. Mas temos um pouco de Gang Of Four, de PIL, de Neil Young. O Midnight Oil sem medo de experimentar, de aparecer para o mundo. ‘Diesel And Dust’ (1986) veio soberano, entretanto, nada mais foi do que a soma de um aprendizado melhorado e rebuscado do que o Oil tinha feito há 4 anos. Infelizmente, as rádios foram um pouco omissas em relação a ’10,9,8,7,6,5,4,3,2,1,’, além de se levar em conta que esse álbum é bem esquecido na trajetória dos australianos. Isso não pode acontecer para um dos trabalhos mais impactantes do grupo, chega-nos o motivo de colocá-lo aqui, com a devida importância que lhe convém.

Sites para saber mais sobre a banda
Allmusic
Site 1
Site 2

Escute o disco todo

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