JORGE BEN – A Tábua de Esmeralda (1974)

jorge capa

“A Tábua de Esmeralda é um disco obrigatório para todo amante da boa musica brasileira”

Com mais de quarenta anos de existência, um disco muito interessante tem me chamado a atenção desde o primeiro momento que coloquei os “olhos” nele: A Tábua de Esmeralda. Considerado por muita gente o melhor disco de Jorge Ben, foi um dos mais importantes da nossa música popular. Um disco que mesmo depois de décadas continua super atual, tanto em letras, quanto em musicalidade.

O disco foi produzido num período muito fértil da música brasileira. Deste mesmo período são os discos “Loki?”, de Arnaldo Batista, “Gita”, de Raul Seixas, o segundo álbum do Secos e Molhados, entre outros de suma importância no cenário musical brasileiro.

Considerado um artista completo por trafegar por vários estilos musicais, sempre imprimindo seu estilo próprio, Jorge Ben criou “A Tábua de Esmeralda” para ser um álbum conceitual. Pelas letras abordadas em suas musicas observamos um artista que mergulhou a fundo para conhecer os fundamentos e as origens da alquimia, ainda que apenas em um nível mais teórico (ele mesmo já declarou que nunca foi um praticante).

Na capa, figuras de Nicolas Flamel, e a primeira lei da Tábua de Esmeralda escrita por Hermes Trismegisto que deu origem a alquimia: “É VERDADE SEM MENTIRA CERTO MUITO VERDADEIRO”.

Ao primeiro contato, o som parece ser muito simples: o violão de Jorge, aliado ao pandeiro, compõe um samba único produzindo um ritmo contagiante. Todas as músicas são sensacionais. As letras, na sua maioria, apesar de falarem sobre alquimia e misticismo, são super descontraídas. A primeira musica já chega bradando aos quatro ventos que “Os Alquimistas estão chegando estão chegando os alquimistas, discretos e silenciosos. Evitam qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido”, como quem dá boas-vindas a quem o ouvia e iria adentrar naquele mundo fantástico. Muito simples, mas muito direta, tudo isso ao som do seu violão característico.

Segue com “O Homem da Gravata Florida”, onde, na realidade, Jorge está se referindo a Paracelso, um dos alquimistas mais conhecidos do século XVI e que foi um médico excepcional, tendo herdado do seu pai o conhecimento místico das plantas e das ervas medicinais, arte chamada de agricultura celeste.

Em “Errare Humanum Est” temos uma viagem psicodélica fundindo-se ao samba e orquestrações profundas e climáticas. Já “Menina Mulher da Pele Preta” vem chegando com toda a malemolência da mulher carioca. “Eu vou torcer”, “Magnólia”, “Minha Teimosinha, uma Arma pra te Conquistar”, seguem exaltando a beleza das mulheres.

“Zumbi” é uma das músicas mais poderosas e belas que falam dos povos negros e da escravidão, soa atualíssima. Na sequência, “Broder”, cantada em inglês abrasileirado, onde versa que “Jesus Cristo é o meu senhor, é o meu amigo”.

Em “O Namorado da Viúva”, o protagonista é Nicolas Flamel, talvez o nome mais famoso da alquimia. Reza a lenda que a esposa de Flamel era rica e já havia sido viúva três vezes, por isso os homens a temiam e, como diz a música, “as apostas subiram dizendo que ele não vai dar conta do recado”. Em “Hermes Trismegisto” reencontramos a fusão do samba com a psicodélica.

Fechando o disco, “Cinco Minutos” nos pede pra esperar mais cinco minutos, pois toda aquela viagem não era pra ter fim.

É um disco obrigatório para todo amante da boa musica brasileira. É um disco que não sai facilmente da cabeça e reescutá-lo é sempre uma surpresa. A impressão que dá, afinal, é que Jorge Ben atingiu, com esse disco, a transmutação. Ele conseguiu transformar em ouro o que já era preciosíssimo: a sua criatividade e o seu som. Salve Jorge!

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