MUSIC NON STOP: Jeff Buckley, Daughter , Liima

musicnonstop 04-04-2016

JEFF BUCKLEY – You and I (2016)

Buckley lançou oficialmente apenas um álbum, o ótimo “Grace”. Mas desde a sua morte prematura em 1997 foram lançadas várias compilações, álbuns com apresentações ao vivo ou contendo sobras de estúdio, que buscaram perscrutar a sua curta mas marcante trajetória musical ou, simplemente, render alguns trocados para gravadoras. “You and I” é a mais compilação recente, reúne uma série de covers (Dylan, Sly and Family Stone, Smiths, Led Zeppelin, dentre outras) e duas canções do cantor: uma versão demo de “Grace” e a inédita “Dream of You and I”. As gravações tem qualidade excelente, e a marca do disco é do intimismo, com quase todas as canções tendo apenas Buckley ao violão, dando vazão à sua voz cristalina. Matadora a versão de “I Know it’s Over”, dos Smiths.

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DAUGHTER – No to Disappear (2016)

A música intimista e de ares cinzentos do trio inglês Daughter dá as caras três anos após sua estreia com o surpreendente “If You Leave” (2013). Aqui eles elaboram estruturas mais convencionais para o formato de música pop, soando um pouco menos intimista e com arranjos mais “cheios”. Se por um lado continuam soando deslocados de seu tempo, a música do trio encontra-se bem encaixada no selo 4AD, selo que lança seus discos no continente europeu e lar de nomes bem representativos no cenário musical nos anos 80 e 90: Bauhaus, Cocteau Twins, Dead Can Dance, This Mortal Coil, etc. A música densa do grupo soa como trilha sonora para dias cinzentos e a voz aveludada de Elena Tonra é um bálsamo reconfortante para o tratamento do stress do dia-a-dia. Vai lá em ‘New Ways”, faixa de abertura do disco, e confere.

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LIIMA – II (2016)

O projeto Liima surge como a outra encarnação do grupo dinamarquês Efterklang, com a adição do percussionista finlandês Tatu Rönkkö. Tendo a espontaneidade e as percepções do local onde estão gravando a canção como linha mestra, o projeto caminham por uma trilha de experimentações com doses de eletrônica e algum elemento de indie rock. Comparações com a música do Efterklang não são desmesuradas, há vários pontos de aproximação, excluindo o lado orquestral e orgânico: o Liima, excetuando o baixo, se deleita nas maquininhas eletrônicas. Como as canções são criadas a partir de uma ideia básica inicial e desse pontapé inicial os músicos vão a desenvolvendo sem seguir padrões postos, o álbum acaba soando bastante multifacetado, embora consiga manter certa coesão. As influências também não são limadas, de forma que “Amerika” é influência direta de Bowie e “Roger Waters” pega emprestada a linha de baixo de “Money” (Pink Floyd).

Veja o clip de “Amerika”, do projeto Liima.

2 pensamentos sobre “MUSIC NON STOP: Jeff Buckley, Daughter , Liima

  1. A idéia dessa seção é essa, comentário rápido e sucinto sobre três álbuns lançados. Afinal não dá pra fazer resenha de tanta coisa. Por sinal ela andava sumida do blog, apesar de eu gostar do formato.

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  2. Não escutei o Daughter. Jeff Buckley admiro, mas também não escutei esse, acabou me passando uma ideia de músicas sobrando, algo mais elaborado como uma espécie de caça-níqueis (vou escutar depois desse texto). Liima ouvi sim, e me agradou. Claro que outras audições serão necessárias, porém considerei um disco bem feito, com canções marcantes, coisas associadas ao Efterklang. Um disco não tão espetacular, contudo interessante e que pode gerar próximos trabalhos para se ficar de olho. Bom texto, Luciano. Dá uma noção boa e rápida sobre tanta coisa que está saindo no cenário musical.

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